Renato, o apostador

Renato de Azevedo comete um “blogue” no site da revista Veja. A Veja… Renato é um apostador compulsivo. Todos os dias Renato aposta na idiotice dos leitores. Há um texto em que ele chama fascistas de “aliados objetivos” da esquerda. Papel (ou monitor de computador) é que nem idiota: aceita tudo. Renato assume riscos. Diz que “quem estuda história sabe”. Corre o risco de que algum leitor seu acabe mesmo indo estudar. Mas ele deve saber os leitores que tem. Sabe que seus leitores não estudam história. Se estudassem saberiam que os grandes capitalistas alemães financiaram Hitler. Fritz Thyssen (você provavelmente pega um elevador com o nome dele escrito) deu um depoimento sobre isso que virou livro, chamado “Eu paguei Hitler”. O outro nome que vem escrito nos elevadores, junto ao Thyssen, é o Krupp, que também apoiou o nazismo. Há outros, Kirdorf, Börsig, a lista é grande. Na Itália não foi diferente. O fascismo tem uma função para o capitalismo nos momentos de crise aguda. Quem estuda história sabe: Renato está falando abobrinha.

Em outra oportunidade, Renato fez uma aposta mais certa. Arriscou-se a dar palpites sobre linguística. É provável que um leitor de Renato não saiba nada de linguística. Renato se aproveita disso. É desonesto. Na famosa polêmica contra um livro didático que usava o conceito de preconceito linguístico, Renato disparou: “Só se esqueceram de considerar que, afinal de contas, cada usuário da língua pode errar à sua maneira”. Ora, Renato finge que toda variação linguística é uma variação individual. Não é. Há variações regionais, de classe, de idade, nível de instrução. A linguística também prevê o erro, estruturas que não existem em nenhuma variação e não são eficientes para a comunicação. Exemplo: “idiota Renato um é imbecil e”. Não existe essa ordem em português. Isso sim é um erro genuíno, a comunicação falha. Se a proposição de Renato fizesse sentido, não se poderia definir regras para as diversas variações linguísticas. O único modo de conhecê-las seria por meio de uma descrição infinita enumerando todas as frases possíveis. Não é o que acontece. Língua é sistema, e as outras variações linguísticas são tão língua quanto a língua oficial das gramáticas. Além disso, Renato diz que ao “ensinar o erro” os professores estariam tirando a oportunidade dos alunos da rede pública de concorrer a determinados empregos. É uma distorção safada. O que se combate é um preconceito. Ninguém propõe que se ensine outras variações linguísticas além da gramática normativa. É gramática normativa que precisa ser ensinada, ninguém diz o contrário. E não só por razões utilitaristas. O conhecimento da gramática dá acesso à cultura, Camões, Eça, Clarice, livros de história etc. A objeção de Renato revela uma visão de mundo. O conhecimento é um mero instrumento em função de lucros futuros. É de acordo com isso que um arrivista pode computar os estudos na lista de sacrifícios que fez para “chegar onde chegou”. O conhecimento é um sacrifício. É dessa visão de mundo que aqueles que querem privatizar a USP compartilham.

Abaixo do texto há as opiniões dos leitores. Nesse texto sobre preconceito linguístico, um leitor vomita:

Oçeis inzagera dimais!!

Cum os PT nesti guvernu, as coisa vai piorá.

O Lulão já tá pondu a cartia deli pra rodá.

Deve tá preparanu pra vortá em 2014.

Todu mundu votanu nele jenti inguelorantis borçista.

É justamente esse tipo de julgamento que o combate ao preconceito linguístico tenta evitar. Para esse leitor, o povo vota no PT por ser ignorante. Não falar de acordo com a norma culta implicaria uma absoluta incompetência política. O voto dele, por outro lado, é claro que é melhor, muito mais qualificado. Resta saber se esse leitor era tão severo assim com o Bush filho. Mas Renato é um apostador compulsivo. Todos os dias aposta na idiotice dos leitores. Vejam outro leitor:

Este curto texto é oferecido a ‘ELES”. Esses cretino deverias eras terem uns pouco de pejo e não partirem para a desfiguração linguais alegando preconceitos linguístico. Nem Stalin, Hittler ou fidel pensaram nisso.

Renato ganha, de novo, a aposta.

Grubi
Estudante de Letras

Sobre usplivre.org.br

Jornal editado pelos estudantes da USP em luta contra a política de repressão e de privatização da USP promovida pelo reitor João Grandino Rodas.
Esse post foi publicado em Jornal da USP Livre! nº 11 - 28/11/2011. Bookmark o link permanente.

7 respostas para Renato, o apostador

  1. marcus disse:

    O x fritas não leu o texto, claro. Veio feder por aqui. Baba ovo fica lá no tio Rei mesmo, tio.

  2. Vivinha disse:

    O nome do mau caráter é REINALDO AZEVEDO (mas para mim ele é o Repugnaldo Azevedo, o Tio Repug).

  3. xfreitas44 disse:

    Na minha época, na universidade, os que não gostavam de estudar, trabalhar ou se esforçar, pegavam um “baseado” para filisofar. Gritavam pelos oprimidos e tornavam-se “socialistas”, “comunistas” e “progressistas” para compensar suas preguiças , inabilidades e enganar os incautos. Parece que isso não mudou até hoje…!

  4. 1t5justbegun disse:

    Postei lá agora, quem acha que vai ser publicado???

    marcus

    04/12/2011 às 9:56
    Seu comentário está aguardando moderação

    Para quem não leu o texto a que a resposta acima se refere, mas já tem opinião, quem sabe uma vez na vida pensa por si mesmo:

    http://usplivre.org.br/2011/12/02/renato-o-bonito/#comments

    e outro, que desmonta uma das maiores bobagens que o rei da galera tem ensinado aos seus que, pelo que leio nos comentários, não frequentam bibliotecas ou livrarias, jamais:

    http://usplivre.org.br/2011/11/28/renato-o-apostador/

  5. Hugo Carvalho disse:

    Tenho um amigo meu que trabalha na veja, e cordialmente ele me falou do “amado” Azedo, ops, Azevedo. Ele tem uma verdadeira equipe de funcionários (pagos pela veja) para assessorá-lo, incluindo pesquisadores e advogados. E a meta é tacar fogo na esquerda com o máximo de calunias possível, e se der, o maior sonho deles, é associar a esquerda ao terrorismo “a la Bush”.

    Delinqüência é pouco.

    • Vivinha disse:

      Não duvido nem um pouco. Pela quantidade de textos que ele “expele” diariamente, não é humanamente possivel que ele faça tudo sozinho. E a intenção é clara: atacar o PT, “blindando” os tucanos. Um dos “Civita brothers” (donos da Editora Abril, que publica a VEJA) disse que queria “eliminar a Dilma”. Missão em curso.

  6. É COMO EU COSTUMO DIZER:
    ERRAR É HUMANO,
    DESDE QUE NÃO SEJA UMANO…

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