É preciso o esclarecimento cabal de todas as denúncias sobre a Espionagem na USP

Durante a gestão do reitor-interventor João Grandino Rodas veio à tona uma denúncia grave e que deve ser completamente esclarecida. Trata-se da existência de um sistema organizado para espionar as atividades políticas e sindicais de estudantes e funcionários da universidade.
Documentos trazidos à público durante uma audiência na Assembleia Legislativa de S. Paulo realizada no ano passado e, posteriormente, reproduzidos na revista Fórum, mostram conversas mantidas por e-mail e relatórios que são indícios do funcionamento de uma verdadeira rede de espionagem na USP.
Haveria até mesmo um grupo de pessoas na gestão do reitor destacadas para receber e analisar informações, a chamada “Sala de Crise”.
Um e-mail, enviado pelo diretor da Divisão Técnica de Operações e Vigilância (DOV) e da Guarda Universitária, Ronaldo Pena (denunciado por diretores do Sintusp como sendo um policial), ao professor Carlos Alberto Amadio, chefe do gabinete do reitor (cujo fac-simile é aqui reproduzido) relata discussões ocorridas em uma reunião fechada do Sintusp.
Seguindo o padrão dos relatórios dos agentes do SNI (Serviço Nacional de Informação – atual Abin) da época da ditadura, o relatório do chefe de segurança do campus indica a um membro do gabinete de Rodas o conteúdo, as pessoas e as propostas discutidas pelos dirigentes sindicais da universidade.
A diretoria da Adusp (Associação dos Docentes da USP), comentando o fato em sua página na internet, afirma que tentou entrevistar Amadio sobre os documentos. Não obtendo resposta, o sindicato dos professores assinalou que “o chefe de gabinete não sentiu necessidade de repreender o diretor a DOV por este lhe repassar ‘informações que interessam’ sobre o Sintusp, nem por lhe informar sobre manifestações que iriam ocorrer na reunião seguinte do Conselho Universitário (CO), nem mesmo por lhe afirmar, em claro desvio de função: ‘Ficaremos atentos aos movimentos’”.
Outro documento, também divulgado desde o início do ano, é um relatório sobre as atividades de estudantes e trabalhadores durante a greve realizada em abril de 2010. O relatório expõe detalhes da mobilização sindical e política na universidade com fotos e dados como o sobrenomes de pessoas, departamentos nos quais trabalham, cargos e até mesmo os valores arrecadados para financiar a greve. Reuniões, atos públicos e discussões na própria diretoria do Sintusp são relatadas com o rigor de um documento elaborado por um detetive de polícia.
Ronaldo Pena também foi procurado pela redação da revista Fórum, que elaborou uma reportagem com base nos documentos. Segundo o editor da revista, Renato Rovai, “o destinatário do documento, confrontado com as informações obtidas pela revista, disse que a ‘sala de crise’, responsável pela elaboração do documento, “é passiva e consultiva e somente recebe os contextos cotidianos produzidos pelo meio natural de informações circulantes, não tem poder nenhum de mandar fazer algo e, ainda mais, ilegal, como uma escuta.”
Procurada por uma repórter e questionada sobre a existência de uma rede de “arapongagem” na USP, a professora da Faculdade de Educação, Maria Victoria Benevides, afirmou que “é absolutamente inadmissível que haja controle secreto numa universidade. Uma universidade não é espaço para espionagem”.
“Me espanta profundamente a falta de posição mais democrática dos órgãos da USP, das autoridades competentes da universidade. Eu me aposento neste semestre, estou afastada das atividades da universidade, mas, pelo que sei de colegas e pelo que recebo pela internet de informação, fico indignada de ver que eles não se manifestam, nem que seja para negar”, disse ainda a professora.
O professor aposentado do Departamento de Filosofia, Paulo Arantes, avaliou o caso em uma entrevista ao site SpressoSP e afirmou que “é curioso, mas totalmente coerente com as medidas até agora implantadas pelo reitor João Grandino Rodas. A reitoria da universidade hoje, toda ela, não só o Rodas, é uma organização criminosa. Tem muito mais coisa a se averiguar”.
Arantes afirmou ainda que “o grande problema hoje é saber o que acontece com o orçamento da USP, o que a reitoria faz com ele. A maior universidade do país nada em dinheiro, mas não contrata, não faz nada a não ser serviços de zeladoria dentro do campus. Por que isso? O esquema da arapongagem é mais um elemento na luta contra a reitoria, pois evidencia mais uma de suas ferramentas, mas gostaria de ver uma investigação sobre o dinheiro”.
Assim como não é possível que a universidade mantenha na normalidade suas atividades de ensino e pesquisa enquanto a liberdade de expressão, de pensamento e organização estiver sendo pisoteada pelas botas da Polícia Militar, também não é possível acreditar que essas liberdades estão plenamente garantidas enquanto não se esclarecer o que é, para que serve e quem são os envolvidos no que parece ser uma reedição da espionagem promovida pela Ditadura Militar contra estudantes e funcionários.
Abaixo a ditadura na USP!
Fora Rodas! Fora PM!

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Jornal editado pelos estudantes da USP em luta contra a política de repressão e de privatização da USP promovida pelo reitor João Grandino Rodas.
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Uma resposta para É preciso o esclarecimento cabal de todas as denúncias sobre a Espionagem na USP

  1. Nessa terra de gigantes
    Eu sei, já ouvimos tudo isso antes
    A juventude é uma banda
    Numa propaganda de refrigerantes

    As revistas, as revoltas, as conquistas da juventude
    São heranças, são motivos pra mudanças de atitude
    Os discos, as danças, os riscos da juventude
    A cara limpa, a roupa suja, esperando que o tempo mude

    Nessa terra de gigantes
    Tudo isso já foi dito antes
    A juventude é uma banda
    Numa propaganda de refrigerantes

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