As marcas da privatização: O Proade e as demissões sorrateiras

Na USP foi implementado o Proade (Programa de Acompanhamento de Desenvolvimento Funcional), um programa que estabelece metas e critérios de avaliação do desempenho do corpo de funcionários da universidade. Os critérios são, em sua maioria, subjetivos: competências, nível de complexidade, avaliação atitudinal, performance, requisitos de acesso e conhecimentos complementares.
O programa seleciona, assim, os funcionários que se submeterem com maior facilidade e eficiência o que lhes for imposto. Aqueles que não se submeterem e não alcançarem as subjetivas metas, serão demitidos. É importante ressaltar que a reitoria avalia seus funcionários de acordo com seu objetivo. Se o objetivo é privatizar, os funcionários que colaborarem com esse objetivo irão se manter no emprego. É um método para limpar o terreno e selecionar os funcionários que exercem as funções mais essenciais. Cria-se, desse modo, uma base de sustentação política da reitoria, funcionários mais alinhados com a ideologia de Rodas e do governo estadual.
Uma única avaliação “insatisfatória” já é o suficiente para demitir o trabalhador. O sistema não apenas faz com que o funcionário tenha que se adaptar a um regime de trabalho mais duro, como o coloca totalmente na mão das chefias, impede sua atividade política e abre caminho para a terceirização em larga escala. O objetivo é claro: calar e controlar os que lutam em defesa da categoria e da universidade pública. É um plano para estabelecer uma vigilância para controlar a ação dos funcionários.
Os critérios que o Proade estabelece leva à aceleração do ritmo de trabalho àqueles que permanecerem em seus postos, já que os quadros de funcionários vêm sendo reduzidos; leva, também, à polivalência, ou seja, obriga o trabalhador a assumir tarefas que seriam atribuídas a quatro ou mais funcionários, de forma a pagar para um trabalhar por três, quatro; outra consequência é a terceirização, resultado da substituição de funcionários efetivos por contratados por uma empresa que “presta serviços” à USP e que, no entanto, executa as mesmas tarefas que um funcionário efetivo, porém, recebendo menores salários. Além disso, divide os trabalhadores, dificultando dificultando e enfraquecendo sua organização, o que permite explorá-los mais facilmente.
É necessário boicotar e denunciar esse mecanismo de privatização sorrateira da universidade. Todo o apoio à organização dos trabalhadores da USP nessa Campanha Salarial contra o Proade.
Stelle Dáphine
Estudante de Pedagogia
Militante do PCO

Sobre usplivre.org.br

Jornal editado pelos estudantes da USP em luta contra a política de repressão e de privatização da USP promovida pelo reitor João Grandino Rodas.
Esse post foi publicado em Edição impressa, Jornal da USP Livre! n° 49 - 7/5/2012. Bookmark o link permanente.