Editorial: O odontólogo que queria dar lições sobre assistência social e direito

Waldyr Antonio Jorge é odontólogo, mas trabalha como superintendente de assistência social da USP, perseguindo os estudantes que se organizam e se manifestam politicamente no CRUSP.
Perguntamos: o que um odontólogo sabe de assistência social? Absolutamente nada.
Medicina dentária não forma assistentes sociais, mas a ignorância de Rodas é tão grande que permite que essas aberrações existam na universidade.
As aulas de dentística, endodontia, periodontia, cirurgia etc. não forneceram muitos conhecimentos necessários para Waldyr ocupar o seu atual cargo.
Como se não bastasse o ridículo dessa situação, Waldyr acha que sabe também de Direito. Vejamos a pérola que proferiu em artigo escrito para a Folha de S. Paulo (“Invasão na USP e Estado de Direito”): “Estado Democrático de Direito esse que atribui consequências aos atos que são praticados por impulso próprio, à margem das instituições, como se o Estado não houvesse, já há muitos séculos, reservado para si o monopólio do uso da força”.
Que o Estado Democrático de Direito é exercido com base no monopólio do uso da força, os marxistas já esclareceram, mas o quer dizer Waldyr é que o Estado tem a total legitimidade de usar a força contra os que se opõem a ele. Tem mesmo?
Extrapolando sua formulação para o caso dos estudantes da USP é o mesmo de dizer que eles devem ser tratados na base da violência pelo Estado por protestar contra ele, o que contraria tanto os princípios do Direito quanto da assistência social.
Não é à toa que o último período tem sido de revolta dos estudantes, trabalhadores e da população geral sobretudo contra o aparato repressivo estatal, em especial a Polícia Militar, sob a qual está submetida a Cidade Universitária.
Está evidente que a polícia não atua para proteger o cidadão, nem para fazer cumprir a lei. Cada vez mais a polícia e o aparato repressivo fazem sua própria lei. As lutas da população não poderão progredir sem destruir esse aparato ditatorial, bem como o regime pseudo-democrático que só é lembrado quando interessa aos poderosos justificar sua opressão.

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Jornal editado pelos estudantes da USP em luta contra a política de repressão e de privatização da USP promovida pelo reitor João Grandino Rodas.
Esse post foi publicado em Edição impressa, Jornal da USP Livre! n° 49 - 7/5/2012. Bookmark o link permanente.