Segundo a “justiça” do reitor-interventor, estudantes são… Culpados por suspeita

Reitoria quer eliminação dos estudantes antes mesmo que o processo criminal seja julgado. As únicas “provas” apresentadas contra os estudantes são os depoimentos dos próprios policiais militares que os prenderam

O reitor-interventor João Grandino Rodas já deixou claro qual deve ser, para ele, o destino dos estudantes processados. A “eliminação” do quadro discente da USP se aproxima, pela quantidade de estudantes processados e pelos métodos adotados pela reitoria no processo, do que promoveu a ditadura militar em seu tempo.
Os processos administrativos abertos pela reitoria têm por base os Boletins de Ocorrência produzidos pela polícia no dia em que esta foi chamada para desocupar a reitoria em novembro do ano passado.
Juntados ao processo criminal aberto por “depredação” e “desobediência”, os Boletins de Ocorrência são apenas a peça apresentada pela acusação (o Estado) contra os estudantes. Não se trata sequer de uma decisão judicial, mas apenas das “provas” apresentadas pelos acusadores contra os estudantes no processo. Isso já parece ser suficiente para a reitoria.
Se a reitoria se importasse com o rito processual, o direito a ampla defesa e a presunção de inocência até que se prove o contrário, seria forçoso dizer que está processando administrativamente os estudantes por suspeitar de suas atividades ilícitas. Rodas já sabe o que quer: punir com expulsão antes mesmo que os estudantes presos na desocupação da reitoria sejam julgados pela Justiça comum.
A reitoria está tão afoita para expulsar os estudantes processados que não leva em consideração o fato de que estes sequer foram chamados a depor nos processos criminais que ainda estão tramitando. Para o reitor-interventor, a simples acusação feita contra os estudantes é tomada como prova cabal dos delitos que estes supostamente cometeram.
Tamanhas são as arbitrariedades no processo administrativo que os estudantes chamados a depor perante a Comissão Processante serão considerados culpados e terão “confessado” os fatos de que são acusados caso se ausentem das audiências marcadas.
Os processos administrativos conseguem ser ainda mais arbitrários que os promovidos pelo Estado. A suspeita é considerada prova. A reitoria, parte interessada no processo, julgará sem qualquer isenção os estudantes. A punição foi definida antes da apuração dos fatos. Os estudantes sendo triturados por uma máquina burocrática contra a qual não possuem qualquer defesa. Esta é a “democracia” uspiana. Nela, o reitor-interventor é juiz, júri e carrasco.

Sobre usplivre.org.br

Jornal editado pelos estudantes da USP em luta contra a política de repressão e de privatização da USP promovida pelo reitor João Grandino Rodas.
Esse post foi publicado em Edição impressa, Jornal da USP Livre! n° 49 - 7/5/2012. Bookmark o link permanente.