Fuvest muda critérios e dificulta o ingresso de estudantes na USP

A Fuvest, fundação responsável por elaborar o vestibular da USP, adotou novos critérios para a aprovação de novos estudantes. O vestibular, reconhecidamente rígido e excludente, terá novas regras que o tornam ainda mais dificultoso.

O primeiro ponto de alteração é a nota mínima exigida na primeira fase. De 22 passou para 27. O candidato que não alcançar essa meta, será automaticamente eliminado.

Outra mudança relevante é o fato de que a nota da primeira fase será, a partir desde ano, levada em consideração na composição da média final do candidato.

É uma medida que vai beneficiar as camadas mais altas da sociedade. Um estudante, filho de trabalhadores, que teve sua formação nas escolas públicas brasileiras, não terá a mínima chance de ser aprovado no vestibular. Não por incapacidade, mas porque a sociedade não lhe ofereceu oportunidades para se desenvolver intelectualmente e, inclusive, não participou dos treinamentos pelos quais os filhos da classe média e da burguesia passam.

As instituições de ensino privadas se especializaram em vestibular, especialmente o da Fuvest. Virou um grande negócio. As escolas que mais aprovam no vestibular têm maior procura e, consequentemente, maiores lucros. E a escola pública, que já está há décadas abandonada pelo poder público, além de não garantir o aprendizado real dos estudantes, não oferece a mínima possibilidade de aprovação no vestibular.

A prova, no entanto, não é comprovação das capacidades e conhecimentos do candidato. É apenas um teste que exige muito mais memorização de conteúdo do que raciocínio. E, mesmo se valorizasse o raciocínio, a existência de uma prova como essa é um atestado de que o Estado desconsidera a esmagadora maioria da população que foi e é prejudicada cotidianamente pelo seu próprio abandono e a destruição do ensino público promovida por sucessivos governos.

Com critérios mais rigorosos, o vestibular se torna mais excludente. Os estudantes com menor qualificação são, em sua grande maioria, da classe média baixa e da classe operária. A causa do problema é clara: quanto menor o poder aquisitivo, menos instrução e acesso à cultura se tem.

Uma medida como essa torna ainda mais distante o ingresso da classe operária na universidade. Além disso, quanto mais pequeno-burguês for o corpo discente, maior será a base de sustentação política da reitoria; menos questionadora ela será. Para garantir vagas para estudantes mais pobres, é preciso oferecer bolsa alimentação, moradia e transporte. Um gasto que a reitoria tenta, há anos, eliminar.

A educação é um direito do cidadão e um dever do Estado. O Estado, ao contrário de estabelecer critérios e testes para selecionar quem tem direito ao ensino superior público, deveria oferecer a possibilidade para que todo e qualquer cidadão possa ter acesso ao ensino superior público e gratuito e o único meio para isso é estabelecer o fim do vestibular.      S.D.

Sobre usplivre.org.br

Jornal editado pelos estudantes da USP em luta contra a política de repressão e de privatização da USP promovida pelo reitor João Grandino Rodas.
Esse post foi publicado em Jornal da USP Livre! nº 51 - 10/5/2012. Bookmark o link permanente.