Sob a ditadura de rodas, 88 estudantes já foram presos na USP

Prisão domiciliar: na desocupação da Moradia Retomada, a Tropa de Choque obrigou os demais moradores do CRUSP a não saírem de suas casas.

Desde que assumiu o posto de reitor-interventor, há dois anos, João Grandino Rodas já promoveu a prisão de 88 estudantes.

A primeira prisão do reitor-interventor se deu no dia de sua posse, 25 de janeiro de 2010. Quase uma centena de estudantes se manifestavam pacificamente diante da Sala São Paulo, onde Rodas tomou posse, quando os policiais presentes no local partiram para cima dos manifestantes e arbitrariamente prenderam três pessoas, acusando-as de desacato à autoridade.

Em 2011, ocorreu o fato mais conhecido; a desocupação do prédio da reitoria, no dia 8 de novembro. Cerca de 400 policiais da Tropa de Choque retiraram 73 estudantes do local, levando-os presos.

Apesar de toda a propaganda da imprensa capitalista, que dá respaldo para a política de Rodas e do PSDB, dizendo que os estudantes são “maconheiros”, que estão gastando o dinheiro da população, que são baderneiros, entre tantas outras acusações, em nenhum outro período um reitor conduziu uma ofensiva repressiva tão intensa contra os estudantes.

Na madrugada do domingo de carnaval, 20 de fevereiro, Rodas mandou 200 policiais desocuparem a moradia retomada. Todo o Conjunto Residencial da USP (CRUSP), onde moram cerca de duas mil pessoas, foi cercado e os moradores impedidos de deixar seus apartamentos. Na ocasião, 12 pessoas foram presas.

Além disso, por ter colocado a PM na USP, Rodas também deve ser considerado responsável por arbitrariedades e a violência com que os estudantes vêm sendo tratados. O pretexto do “combate à criminalidade” mostrou-se apenas isso: um pretexto.

Em janeiro, a reitoria colocou a PM para desocupar o Centro de Vivência do DCE. Na ocasião, um policial agrediu um estudante retirando-o à força do local e, inclusive, chegando a apontar uma arma para ele.

Nesta última semana, quatro calouros foram detidos pela polícia enquanto se dirigiam de carro para fora da Cidade Universitária. A acusação foi a de porte de drogas, feita com base em apenas 0,4g de maconha que teria sido encontrado com eles.

Rodas também foi o primeiro reitor a “eliminar” oito estudantes da universidade.

o que diz respeito aos funcionários, todos os diretores do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) estão sofrendo sindicância e sendo processados. Há inclusive um diretor do sindicato, o companheiro Claudionor Brandão que, apesar de gozar do direito constitucional à estabilidade no emprego, foi demitido por justamente participar da organização da luta dos trabalhadores da USP por melhores salários e melhores condições de trabalho. Outras dezenas de estudantes também sofrem com processos e perseguição política por parte da reitoria.

A política repressiva levada a cabo por Rodas tem como objetivo quebrar a resistência que pode impor o movimento estudantil, de funcionários e professores aos planos da reitoria e do governo do PSDB de privatizar a USP.