Afinal, de quem são os Circulares da USP?

Ainda sem o novo cartão (o “BUSP”), estudantes são obrigados pelos motoristas dos novos circulares a descer dos ônibus na Cidade Universitária
A cena já se repetiu em diversos pontos da Cidade Universitária e também no terminal de ônibus junto à estação Butantã do metrô. O estudante da USP (principalmente os calouros) tenta tomar o novo Circular, mas ainda não recebeu seu “BUSP” (o Bilhete Único da USP). O resultado é quase sempre o mesmo: “ou paga a passagem, ou desce”.
As seções de alunos dos diferentes cursos de graduação da Cidade Universitária chegaram a orientar os estudantes na primeira semana do ano a apresentarem sua carteirinha da USP nos Circulares enquanto os novos “BUSP” ainda não chegam. Não adianta. Como uma parte dos estudantes já recebeu o cartão que dá acesso aos novos Circulares a empresa que agora controla o sistema (a mesma SPTrans que administra os ônibus que circulam por São Paulo) se julga no direito de exigi-los de todos.
No Facebook, uma estudante relatou a seguinte situação ocorrida na última quarta-feira: “meu bilhete do novo circular, assim como de muita gente, ainda não chegou. Fui aconselhada pela seção de alunos a utilizar a ‘tão privilegiada carteirinha amarela’ enquanto isso. No entanto, ontem voltando do Roldão, o motorista se recusou a me levar. Disse que, a partir da tarde, tinha ordens para aceitar só o tal do bilhete BUSUSP. Outros dois alunos na mesma situação entraram no ônibus e iniciou-se uma discusão. O motorista chegou a parar o ônibus para que nós, estudantes querendo circular na universidade, decêssemos e esperássemos o antigo circular. Os outros dois estudantes ficaram constrangidos e resolveram descer lá na rua do Matão, para aguardar sei lá que ônibus que os levassem. Bati o pé e não desci. Ficou um clima tenso no ônibus e todos me olhando feio. Pergunto, QUANTOS APARTAMENTOS PRIVADOS O RODAS COMPRARÁ COM A SUA PORCENTAGEM NOS LUCROS DA SPTRANS? A universidade está cada vez mais se distanciando da sociedade. O que me revolta é ver a maioria dos alunos alienados que se consideram privilegiados por ter o cartão BUSUSP”.
Agora que os Circulares foram entregues à SPTrans falta pouco para que as viagens dos estudantes dentro da própria Cidade Universitária sejam cobradas.
Com a “terceirização” do serviço antes prestado pela própria prefeitura do campus, a reitoria não se responsabiliza mais pelo que acontece nos ônibus.
E a SPTrans, que é uma empresa privada administrando um bem público, obviamente não sairá desse acordo de mãos abanando. Por que outro motivo as viagens dos estudantes nos Circulares teriam que ser estritamente controladas por meio do novo Bilhete USP? Enquanto a reitoria não publica os detalhes do acordo firmado com a SPTrans, fica apenas a suspeita no ar de que a empresa está recebendo por cada giro da catraca (tal como recebe da prefeitura de S. Paulo).
Os estudantes mostraram, na última semana (por meio do catracaço que garantiu a janta de graça no bandejão central na quarta-feira), que a melhor saída nesta situação é boicotar o sistema autoritário e arbitrário imposto pela reitoria. Nos vemos no busão.