Breve história do CRUSP (parte 2 de 3)

Leia também a primeira parte deste artigo já publicada na página do USP Livre na Internet (www.usplivre.org.br)
Diante da ditadura, a Aurk e pessoas do CRUSP começam a se envolver com a resistência contra o golpe militar. Depois da batalha da rua Maria Antônia (onde ficava a FFLCH), com os estudantes do Mackenze, o centro político do movimento estudantil, fica sendo o CRUSP. No térreo do Bloco G, ficava a sede do DCE, da UNE (União Nacional dos Estudantes), e da própria Aurk. Esse foi o melhor período que o CRUSP viveu. Super organizado, atuando politicamente.
O que garantiu que a existência de toda uma estrutura que não existe mais. Centro de vivência, quadras de esporte, piscina. A universidade fornecia roupa de cama, colchão, tudo. Tinha a lavanderia com funcionário específico…
Até que o bandejão (Restaurante Universitário) reajustou o preço e o pessoal do CRUSP monta no centro de vivência, ao lado do bandejão, uma cozinha improvisada. Acontece o boicote e os estudantes passam a comer no restaurante organizado pelos cruspianos. A reitoria chamou a polícia e muita gente foi presa. O acontecimento marca a greve de 1968. Foram os cruspianos que levaram adiante a única greve por assistência estudantil.
Em 17 de dezembro de 1968, os tanques do 3º exército cercam o CRUSP. Estava preparada uma resistência, tinha barricadas nas ruas, mas o exército chegou com os tanques e foi um massacre. Prenderam 800 pessoas, levaram até a rodovia Raposo Tavares e os deixaram no KM 14. Isso porque era época de férias e a moradia estava meio vazia. Cerca de duas mil pessoas viviam no CRUSP nessa época. A moradia foi fechada e assim ficou por dez anos. Até começarem a colocar umas coisas, para justificar esses dez anos de abandono. É quando surge a Coseas (Coordenadoria de Assistência Social), em 1975, funcionando no prédio da reitoria.
Com um novo ascenso do movimento estudantil, a partir de 1977, vários estudantes se concentram no Bloco A, em 1979 . Montam um acampamento e assim começa a retomada. Ocupando bloco por bloco. Na época a universidade chamava os quartos de sala, para tirar o caráter de moradia. Nessa segunda ocupação os punks vêm para o CRUSP. Bandas históricas do punk rock nacional surgem aqui, como a banda Excomungados, que vai fazer 30 anos. Primeiro ocupam 11 “salas”. Vai chegando mais gente, ocupando mais espaços, até retomar os blocos, mas não todos. Eles demoliram, tomaram alguns prédios e fizeram ruas. Na década de 80 a situação é bem precária, porque os prédios ficaram abandonados 10 anos. Em 1984 acontece um acidente e duas pessoas morrem. A reitoria aproveita para fazer campanha contra a moradia, dizendo que no CRUSP só tinha vândalo, criminoso, favelado.