Editorial: Fora Rodas!

A luta pelo “Fora Rodas” começou antes mesmo de sua posse na reitoria. Desde o início, sua indicação pelo então governador do estado, José Serra, no final de 2009, foi vista como uma provocação contra a comunidade universitária.
Em 11 de novembro, sob protestos e com a ajuda da polícia, a casta dirigente da USP, composta em sua esmagadora maioria por professores titulares, elegeu uma lista tríplice que foi enviada a José Serra para que este nomeasse a partir daí o novo reitor.
A “votação” desta reduzida elite de pessoas “superiores” deu vitória para Glaucius Oliva, diretor do Instituto de Física de São Carlos. Em segundo e terceiro lugar, ficaram, respectivamente, João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito e Armando Corbani, pró-reitor de Pós-Graduação.
José Serra, ignorando a insatisfação geral com o regime de poder dentro da universidade que se mantinha mobilizada com intensa movimentação de estudantes e trabalhadores desde a ocupação da reitoria em 2007 contra seus decretos privatizadores, escolheu o segundo colocado da lista: João Grandino Rodas.
A escolha de Serra completou o quadro grotesco que é o regime de poder dentro da USP e inaugurou a ofensiva que revelou a verdadeira ditadura que existe na universidade. Por isso ele foi apelidado de reitor-interventor.
A rejeição de estudantes e funcionários às eleições expressava uma rejeição geral da comunidade universitária ao regime de poder e a intervenção do Estado. Tal ficou claro no primeiro turno das eleições, onde o número de votos brancos e nulos superou o dos três primeiros candidatos. E também no protesto dos estudantes no dia da posse de Rodas, em janeiro de 2010, em evento com a presença do prefeito Gilberto Kassab e do governador Serra, quando dois estudantes foram presos.
Serra passou por cima da vontade de toda a universidade e até mesmo da pequena burocracia que a domina, escolhendo Rodas para reitor.
Rodas não tem nenhum apoio dentro da USP. Seu único apoio vem do governo do estado, que mantém a universidade sob sua tutela, contra a vontade da maioria dos seus membros, utilizando agora a polícia militar para sitiar o campus e impor sua política.
Todos os setores, estudantes, funcionários e professores já manifestaram posição contra a política de Rodas e do PSDB na USP. A escalada de violência e repressão do último período quando se intensificou a luta contra o reitor-interventor é a expressão mais clara da fraqueza e isolamento da direita na universidade. Confirmando que essa luta ao lado do “Fora PM” está na ordem do dia. É preciso expulsar Rodas e sua política repressora e acabar com o plano do PSDB de privatizar a mais importante universidade do País.