Moradia e permanência estudantil: Breve história do CRUSP (parte 3 de 3)

Leia também a primeira e a segunda parte deste artigo já publicadas na página do USP

Nesse momento (entre 1984 e 1985) o CRUSP estava desorganizado e 25 pessoas fundaram a Amorcusp (Associação de Moradores do CRUSP) com o intuito de fazer a negociação com a reitoria e manter o CRUSP aberto. Mas esse pessoal é vinculado à reitoria, e faz um acordo: a reitoria faz a reforma, mas em troca, a Coseas vai para dentro do CRUSP e se torna o órgão responsável por geri-lo, determinando, inclusive, quem entra e quem sai. Ela (a Amorcrusp) foi também responsável por elaborar um estatuto que ficou pronto apenas em 1997. Essa Associação organiza os estudantes do CRUSP até hoje.
De lá para cá algumas coisas aconteceram. Em 1996, houve a ocupação da sede administrativa da Coseas, que fica no prédio onde já funcionou a lavanderia do CRUSP. Em 2006, pouco antes da ocupação da reitoria que aconteceu em 2007, contra os decretos do então governador Serra, que retirava a autonomia da universidade, a Amorcrusp passa a ser controlada por uma chapa mais à esquerda, que participa da ocupação da reitoria e defende as reivindicações dos moradores, como a construção de novo bloco (A1), ônibus circular no final de semana, e abertura do bandejão também aos finais de semana. Conquistas recentes que foram resultado dessa luta. Conquistas que estão ameaçadas por Rodas e sua ditadura na Universidade.
Em 1964, que é quando o CRUSP começa a funcionar efetivamente como moradia estudantil, a USP tinha cerca de 40 mil alunos. Hoje são cerca de 80 mil alunos. Naquela época existiam 12 blocos e moravam aproximadamente duas mil pessoas. Agora, oito blocos de moradia, representam aproximadamente 1.600 vagas. A Unicamp tem um estudo sobre o assunto: o ideal para o caso brasileiro seria ter 10% do número total de estudantes em moradia estudantil. Na USP, seriam necessárias oito mil vagas na moradia, mas menos de duas mil vagas estão disponíveis.
É importante dizer que assistência estudantil, em especial a moradia, existe para dar igualdade de condições para os estudos. Se for levada em consideração que a USP, na sua carta de fundação, diz “existir para formar as elites paulistanas”, ou seja, para o estudante que não precisa trabalhar para se manter, e pode se dedicar exclusivamente aos estudos. O estudante que vem da periferia, do interior, que consegue furar o filtro do vestibular e entrar na universidade chega aqui e se vê desesperado, pensando onde e o que vai comer, morar… Por isso representa igualdade de condições. Oferecer a possibilidade para esse estudante se desenvolver, garantir sua permanência na universidade.

Alguns filmes importantes que contam um pouco mais dessa história:
• “Universidade em crise”, que fala da greve de 1968;
• “Entrevista com Eduardo Kneese”, falando sobre o projeto dele para o CRUSP;
• “A experiência cruspiana”
• “O apito da panela de pressão”, que fala do movimento de 1977.

O CRUSP que a reitoria não quer: