Editorial: O movimento estudantil precisa se reorganizar

Desde 2007, quando o governo do PSDB organizou um ataque mais concentrado às universidades públicas estaduais, os estudantes realizaram diversas mobilizações importantes, como a ocupação da reitoria naquele ano, contra os decretos de Serra, a luta contra a polícia em 2009 e 2011 e agora a luta contra Rodas e a repressão na universidade.
Em todas essas oportunidades, colocou-se claramente o problema da direção estudantil, que esteve em todos os momentos em total oposição à mobilização.
As diversas gestões do DCE desde então, bem como as da esmagadora maioria dos centros acadêmicos, mostraram-se incapazes de auxiliar na organização e desenvolvimento dessas lutas.
Em 2011, o DCE dirigido pelo Psol sequer chamou assembleia para discutir o convênio firmado entre a universidade e a Secretaria de Segurança Pública e quando o inevitável confronto com a polícia ocorreu, levando às ocupações, o DCE se colocou abertamente contra essa mobilização.
A experiência desses últimos cinco anos, que serviu ao menos para mostrar que a luta deve se desenvolver independentemente dessas direções, também mostra que é preciso reformular o modo como se os estudantes se organizam, pois essas direções não mais correspondem à luta real dos estudantes. Ao contrário, elas têm servido como um obstáculo ao desenvolvimento das mesmas e, portanto, tornaram-se obsoletas como organizações do movimento estudantil.
A própria necessidade de adiar as eleições para o DCE mostra que essa organização está totalmente desvinculada da mobilização. Tanto é assim que até mesmo organizações que são contra o movimento estudantil se organizaram na chapa Reação para disputar as eleições.
Isso porque as eleições não permitem que se expresse a opinião, e muito menos a mobilização dos estudantes. É o tradicional esquema de levar o estudante pelo braço para votar. Cada chapa tem a sua “clientela” e quem tiver mais, leva. Se um professor ajudar, melhor ainda. Como a consulta não é nem sequer universal, os debates e a discussão política são totalmente dispensáveis, pois é preferível para os grupos que dominam essas entidades (e aí incluídos os da direita) que a participação dos estudantes no movimento se resuma a depositar um cédula na urna. Um grupo restrito de pessoas não é capaz de mudar esse fato. É preciso haver uma completa reestruturação das organizações estudantis.
Essa forma de eleição não corresponde às necessidades do movimento estudantil e nem pode expressá-lo. A mobilização colocou a necessidade de reformulação dessas entidades, em especial do DCE, que deveria ser o principal instrumento de luta estudantil.  Por isso, em lugar de correr para escolher uma nova direção para o DCE que será apenas um novo entrave para a luta estudantil, os estudantes deveriam realizar um amplo debate e retomar as rédeas das suas próprias organizações.