Editorial: O significado da nossa luta

Desde novembro temos travado uma luta importante contra Rodas e a PM. Está cada dia mais evidente que o reitor-interventor foi escolhido por José Serra para vender a USP aos pedaços para os capitalistas.
A primeira entrega mais significativa foi a do circular interno da USP. A universidade acabou com o circular gratuito a todos e agora paga ainda mais caro para a SPTrans manter o serviço e ainda cobrar dos que não estão vinculados à USP. Isso por enquanto, pois é provável que em breve todos paguem o circular como um ônibus normal. Agora o circular não é mais um serviço, é um empreendimento capitalista. Isso significa, além do que já foi falado, que o serviço só será prestado à medida que der lucro, ou seja, podemos esperar por ônibus sempre lotados para que a SP Trans não tenha prejuízo. Essa primeira medida permite vislumbrar o que Rodas quer fazer com toda a universidade. Fica fácil identificar também que a função da PM é garantir que esse confisco seja realizado, reprimindo aqueles que podem se opor a esse plano: o movimento de estudantes e funcionários.
Essa luta coloca, no entanto, um programa positivo. A luta contra a privatização é uma luta histórica do movimento estudantil, que sempre teve como bandeira a defesa de uma universidade pública, gratuita e para todos. Isso significa também lutar para que toda a população possa ter acesso à universidade e que essa dê condições para que todos possam estudar. Além disso, a saída de Rodas coloca uma questão central: quem deve governar a universidade, e como?
Derrubar Rodas é apenas um passo para a transformação total do regime de poder dentro da universidade. Nesse sentido se coloca claramente a necessidade de acabar com a ingerência do governo nos assuntos da universidade, pois ela está a serviço dos banqueiros e grandes capitalistas e não do ensino ou da população de um modo geral. Os estudantes, setor maior mais progressista da universidade, devem governar a universidade, em uma administração que contemple os três setores de maneira proporcional ao seu peso numérico. Assim, a luta contra Rodas e a PM se coloca como uma luta em defesa do ensino público e gratuito e pelo poder estudantil.