Opinião: A assembleia geral é soberana

Estabeleceu-se no movimento estudantil uma concepção que está em total oposição às próprias lutas que são travadas.
Resumidamente, essa concepção procura retirar o poder da assembleia geral e repassa-la aos cursos. O efeito desmobilizador e até mesmo incoerente dessa concepção pode ser visto pelas assembleias que ocorreram essa semana. As diversas assembleias de curso não aprovaram greve em parte porque não teria sentido entrar em greve isoladamente. Mas ao mesmo tempo, aprovaram um indicativo de greve que na prática significa que mesmo se a assembleia geral aprovar, o curso ainda tem que chamar outra assembleia para aprovar a greve. Ou seja, a greve  não pode ocorrer nos cursos porque é isolada e não pode ser aprovada centralizadamente porque deve ir para os cursos. Desse modo, se os estudantes não compreenderem e estiverem bastante convictos da necessidade da greve, a mobilização dificilmente pode ocorrer, tamanhos obstáculos são colocados no caminho.
Sob o falso argumento de que a greve precisa “ser construída”,  “se enraizar” nos cursos etc., acaba-se com a assembleia geral e a universidade é transformada em uma federação de cursos.
Essa sempre foi a política conservadora tradicional dentro da universidade, que estimula a rivalidade entre os diversos cursos e unidades. E essa é inclusive a política do Rodas, que considera a universidade como uma federação de faculdades e já declarou a intenção de descentralizar ainda mais a administração da USP.
É evidente que quanto mais descentralizada, mais difícil reagir contra os ataques que vêm do governo do Estado. O mesmo se pode dizer da luta: quanto mais descentralizada mais difícil de ser travada.
A assembleia de cursos deve servir sim para discutir os problemas específicos do curso. Mas Rodas, a PM, os processos e a privatização da USP são questões que dizem respeito a todos os estudantes e as medidas de luta contra esses ataques devem ser decididas na assembleia geral.
João André Dorta
Estudante de Letras
e militante do PCO