Reitoria e direção da FFLCH enrolam para cumprir decisão judicial e reintegrar aluno expulso em dezembro

Mesmo tendo sido publicada no Diário Oficial a decisão judicial em caráter liminar (disponiblizada online ontem, dia 6/3 e impressa hoje), concedendo o mandado de segurança em favor da reintegração do estudante de Letras Marcus Padraic Dunne ao corpo discente da USP, a reitoria e direção da FFLCH enrolam e se recusam a aceitar sua reintegração. Padraic Dunne foi um dos oito estudantes “eliminados” pela reitoria em dezembro, em plenas férias, acusado de ter participado da ocupação da Moradia Retomada (térreo do bloco G do CRUSP, tomado pela reitoria e no qual se instalou a Coseas).
Em um comentário em seu perfil no Facebook, Padraic Dunne afirmou que “passadas as 24h legais para a notificação, reitoria ainda não passou nada à seção de alunos, que sequer me fornece um protocolo para a entrega de documentos. Ganha, mas não leva. Burrocracia no corpo mole. Preciso de testemunhas do meu interesse em resolver a situação”.
O cinismo de Rodas é imenso. Por meio de assessores, o reitor-interventor afirmou que a reintegração de Padraic Dunne não seria aceita alegando não ter tomado conhecimento oficialmente da decisão. O mandado de segurança foi concedido pelo juiz Valentino Aparecido de Andrade na última sexta-feira, dia 2 de março.
O juiz Valentino Aparecido de Andrade, da 10ª Vara da Fazenda Pública, concedeu uma liminar suspendendo a pena de eliminação definitiva aplicada contra um dos alunos acusado de participar da ocupação da Moradia Retomada (térreo do bloco G do CRUSP).
Em nota, a reitoria da USP afirma que “está tomando as providências cabíveis para esclarecer os pontos que embasaram a decisão do juiz”.
Sem poder sequer apresentar suas testemunhas de defesa, oito estudantes da USP foram expulsos definitivamente da USP em dezembro, acusados de participarem da ocupação da Moradia Retomada e não poderiam ter mais nenhum tipo de vínculo com a instituição.
Como o processo foi desmembrado e cada um dos oito expulsos entrou com um pedido de mandado de segurança em separado, outros juízes estão decidindo sobre o pedido de igual teor. Pelo menos uma decisão contrária ao mandado de segurança já foi publicada, relativa ao caso da estudante de filosofia Amanda Freire. Os estudantes envolvidos no caso decidiram recorrer em todas as instâncias possíveis e lutar até o fim para anular as expulsões.