É preciso colocar em prática a vontade dos estudantes: GREVE GERAL A PARTIR DO DIA 20

Não aprovação da greve nos cursos foi usada como argumento para que a assembleia geral não votase pela greve, apesar da mobilização contra a ditadura do reitor-interventor.

A greve aprovada no início de novembro passou por três meses de férias e, neste período, por diversos ataques da reitoria contra o movimento estudantil que ficaram, até agora, sem resposta por parte dos estudantes.

Foi nesse quadro que os estudantes discutiram a retomada da sua mobilização na primeira assembleia geral desse ano.

Sem que o comando de greve tenha atuado para manter a mobilização e a própria greve (não houve piquetes, tampouco um chamado claro à paralisação das atividades logo no início do ano, na semana da calourada e na primeira semana de aulas), além do fato de a primeira assembleia ter sido marcada para depois do início das aulas, a ação dos pelegos foi facilitada.

Psol e PSTU (que concorrem nas eleições para o DCE juntos na mesma chapa, “Não vou me adaptar”), se adaptaram completamente à vontade do reitor-interventor e, aproveitando o período de férias, propuseram o fim da greve assim que encontraram uma oportunidade.

A proposta de greve foi derrotada na assembleia também pela velha tática de realizar assembleias de curso como um filtro imposto às decisões da assembleia geral. Porém, nos cursos, os estudantes já mostravam sua disposição a entrar em greve e as votações das assembleias da última semana indicavam que a decisão devia ser tomada de forma unificada na própria assembleia geral.

Mas, na assembleia geral, o fato de que os cursos não aprovaram a greve imediata foi usado como evidência de que não havia condições para a mobilização.

A assembleia geral aprovou um indicativo de greve para a próxima assembleia que ocorrerá no dia 20 de março. Os estudantes que participaram das últimas mobilizações na universidade já conhecem esse truque usado à exaustão pelo bloco pelego. Psol e PSTU aprovam indicativo atrás de indicativo como um pretexto para “construir” a greve, mas essa nunca fica pronta e, sempre, assembleia após assembleia, os estudantes são chamados a esperar que a mobilização “fique maior”.

Assembleias muito menores do que a dessa quinta-feira já aprovaram greves e mobilizações que resultaram importantes e que se ampliaram bastante.

Os estudantes devem ter claro que:

1) não fazer nada não vai ajudar a organizar greve nenhuma, nem ampliar o movimento. Pelo contrário. Só a mobilização efetiva pode arrastar cada vez mais estudantes para a luta. E foi por esse mesmo motivo que os estudantes ocuparam a administração da FFLCH, a reitoria e finalmente entraram em greve no ano passado: já não era mais possível esperar. Foram essas ações que colocaram o movimento estudantil da USP no centro do debate nacionalmente e que permitiram envolver milhares de estudantes na luta contra a PM e Rodas.

2) deve ser avaliada sobretudo a necessidade da greve e não uma possibilidade que ninguém tem condições de avaliar de maneira precisa. E a greve, as ocupações e todo tipo de ação estudantil é mais que necessária na USP nesse momento. Rodas deu início à privatização da principal universidade brasileira, colocou-a sob estado de sítio, expulsou oito estudantes da universidade e mandou prender outros 88, além de inúmeros outros ataques. Não é possível permanecer calado diante disso.

É preciso preparar de fato a volta à greve e reagir à altura diante dos ataques de Rodas ao movimento estudantil, de funcionários e à universidade pública e gratuita.