Opinião: Comando por consenso serve para estrangular a mobilização dos estudantes

Na última assembleia geral, realizada dia 8 de março, além de trabalhar pelo fim da greve, Psol e PSTU propuseram que o comando de greve, transformado em comando de mobilização, fosse aberto, mas que as decisões fossem tomadas por consenso.
Uma proposta como essa não tem outra função que não a de acabar com qualquer tipo de mobilização dos estudantes.
Se o comando com delegados eleitos nos cursos estava servindo para que um pequeno grupo o dominasse, impedindo que os estudantes de fato levassem sua luta adiante, o comando por consenso vai fazer o mesmo de forma ainda pior, mas pelo menos de modo escancarado.
Não devemos ter o fetiche da forma organizativa perfeita. Devemos utilizar aquelas formas que permitam um desenvolvimento da luta dos estudantes. A eleição de delegados não estava contribuindo para isso. Ao contrário, permitia que uma maioria circunstancial transformasse o comando em uma prisão para a luta. Tanto é assim que nada foi feito pelos estudantes expulsos, pelos estudantes presos, contra o circular ou mesmo para manter a greve no início das aulas, e isso se deu apesar do fato de que muitos delegados do comando eram favoráveis a essas ações.
O comando por consenso vai fazer isso de forma ainda mais brutal. A burocracia estudantil, Psol, PSTU e afins, que praticamente não elegeu delegados para o outro comando durante a greve, vai utilizar o consenso como arma contra o movimento.
Todos sabem que não existe consenso no movimento estudantil. Sendo assim, o consenso só vai ter o efeito de nivelar a mobilização por baixo, ou seja, pelas propostas mais moderadas possíveis às quais ninguém vai se opor. Na prática significa a ditadura do Psol e do PSTU sobre o movimento, pois todos ficarão de mãos atadas para realizar qualquer coisa que se oponha a eles.
É preciso dizer, no entanto, que esse comando é agora algo extremamente artificial. Se o comando não serve para mobilizar, para organizar de fato a luta dos estudantes, ninguém deve se submeter a ele. Os estudantes que querem lutar contra Rodas, a PM e a privatização não precisam da permissão desses grupos para lutar.

Natália Pimenta
Estudante de Letras
e militante do PCO