Editorial: A direita é contra o movimento estudantil

Nos últimos anos grupos de direita têm levantado a cabeça na USP, sempre apoiados, claro, na reitoria, no governo e na imprensa capitalista.
O grande mote desses grupos, que se dizem apartidários, mas têm detrás de si os piores partidos do espectro político nacional, como PSDB, DEM, PP etc. é ironicamente o da democracia.
Ironicamente, pois, como todos sabem, foram justamente esses partidos que deram sustentação para o regime militar no País.
Esses grupos acreditam que democracia é decidir se deve ou não haver luta estudantil. Eles, evidente, são partidários de que não haja luta, seguindo o velho bordão da ditadura “estudante é para estudar; trabalhador para trabalhar”. Sabemos bem o que acontecia com aqueles que decidiam fazer algo além de estudar e trabalhar.
Sua ideia de democracia é reproduzir o regime antidemocrático que existe no país dentro da universidade; um regime no qual a população não tem absolutamente nenhuma voz ativa, é apenas voto para os candidatos burgueses que depois fazem o que bem entendem, sem prestar contas a ninguém.
O movimento estudantil só pode ser democrático se for de luta, senão sequer pode ser chamado de movimento. Deve, portanto, se apoiar nos que lutam. Por isso, no movimento estudantil, como nos sindicatos e movimentos populares, a democracia está na assembleia, porque lá estão reunidos os que estão dispostos a lutar e lutam em defesa da universidade pública e gratuita, da qualidade de ensino, pela autonomia diante do Estado; em resumo, pelos interesses do conjunto dos estudantes.