Editorial – Sobre a privatização da universidade

Fica cada dia mais claro que Rodas foi colocado na reitoria da universidade para privatizá-la. No entanto, é evidente que isso não se dará de uma vez, em um leilão da USP na bolsa de valores, como ocorreu com várias das estatais brasileiras.
O reitor-interventor está vendendo a universidade aos poucos, entregando-a às fatias para a exploração privada e terceirizando os serviços. É o que já aconteceu com a gráfica da USP, desmantelada para servir ao interesse de algum capitalista do ramo, e agora com o circular, que foi entregue para a SPTrans, uma empresa privada.
O Proade também foi elaborado por Rodas para demitir em escala industrial e quando bem entender os funcionários da USP, o que abrirá as portas para a terceirização de todo esse setor.
Esse é o começo. Depois de entregar toda a estrutura básica da universidade para a iniciativa privada será a vez dos cursos, um por um invadidos pelas fundações, cobrando taxas em cima de taxas. Ao reforçar a ideia de que a USP seria uma espécie de federação de unidades com interesses distintos, Rodas dá um indício do seu plano: deixar que cada unidade realize a privatização como bem entender, tirando das suas mãos a responsabilidade pelo feito e dificultando a luta dos estudantes e dos funcionários contra a medida.
A PM, fica cada vez mais evidente, está no campus para garantir esse confisco da população, impedindo qualquer luta contra essas medidas.
É importante deixar claro que a privatização não é uma mudança superficial e suas consequências não são apenas quanto à qualidade do serviço e aumento das taxas, o que de fato ocorre.
A entrega de empresas como as de energia elétrica, de telefonia, a Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional para mãos privadas, e na maioria das vezes estrangeiras, é a entrega de setores estratégicos da economia. O mesmo se dá com a USP, principal universidade do País. Se a universidade não for pública, gratuita e totalmente independente de interesses particulares ela se transformará, como já está acontecendo, de centro de produção de conhecimento em uma espécie de colégio técnico  de luxo. Se o país não tem universidades capazes de produzir conhecimento e tecnologia está eliminada qualquer possibilidade de independência diante das grandes potências que atualmente dominam o país e damos mais um passo no sentido de aprofundar nossa condição de país colonizado.