Festas e consumo de bebidas no campus: caso de polícia?

O parecer expedido em 2010 pelo REItor João Grandino Rodas que aplica aos campi da USP a Lei Estadual 13.545/2009 vedando a compra, venda, fornecimento e consumo de bebidas alcoólicas em qualquer estabelecimento de ensino mantido pela administração estadual, estabelece como única exceção o espaço do Clube dos Professores e o dos Funcionários. No entanto, no dia 9 de março deste ano, na Festeca dos Bixos, evento promovido pela Ecatética, milhares de pessoas compravam e consumiam bebidas alcoólicas no velódromo do CEPE-USP. A festa ocorreu normalmente sem nenhuma apreciação de conduta inadequada por parte das autoridades universitárias. O mesmo não ocorreu com estudantes e trabalhadores que vendiam e/ou consumiam cerveja próximos à entrada do velódromo. Membros da Guarda Universitária ameaçavam apreender a mercadoria dos vendedores e, como estes os questionaram e se recusaram a deixar o local, os guardas anotaram as placas de seus veículos alegando que enviariam um relatório à administração.
Esse exemplo demonstra como a reitoria não está de fato preocupada com a redução dos danos causados pelo consumo abusivo de bebidas alcoólicas, mas sim, interessada em criminalizar os trabalhadores que sustentam suas famílias com a atividade comercial que exercem no campus, e os estudantes pobres (muitos deles cruspianos), contemplados ou não pelas ineficazes políticas de permanência estudantil, que apelam a tais atividades para complementar a renda necessária para manterem seus estudos.
Atividades recreativas promovidas por entidades estudantis são importantes para o convívio social no campus e a proibição da venda de bebidas alcoólicas prejudica a realização desses eventos que muitas vezes são meios de arrecadação de fundos para atividades do  próprio movimento estudantil. Rodas, por meio de sua Guarda Universitária, age covardemente tentando punir primeiramente os trabalhadores sem “vinculo” com a universidade e os estudantes tidos como “baderneiros”, mas, se continuarmos aceitando as imposições do REItor interventor, como no caso desse parecer sem fundamento,  é bem provável que centros acadêmicos e associações atléticas sejam o próximo alvo, quem sabe, dessa vez, com o auxílio da PM. O que mais estamos esperando?
Antonio Netto
estudante de Letras