Denúncia: mais uma demonstração de por que os estudantes lutam pela saída da PM do campus

O Jornal da USP Livre! recebeu mais uma denúncia da arbitrariedade e do abuso praticado cotidianamente pela Polícia Militar em toda a cidade e, em particular, no campus da Universidade de São Paulo, colocado sob estado de sítio pelo governo do PSDB e o reitor-interventor João Grandino Rodas.
Reproduzimos aqui, na íntegra, o relato enviado por um estudante que preferiu o anonimato:


“Vou passar um relato, pois preciso contar a mais pessoas do que só meu círculo pessoal.
“Na noite do dia 14/3 eu saí do P3 e fui à casa de um amigo ali por perto. Saí de lá e segui pra minha casa, que fica perto, por volta das 2h da madrugada. No caminho uma viatura com dois policiais me parou, e um policial desceu já apontando uma arma a mim falando para eu ficar de costas. Ele me revistou, viu que não tinha nada de errado, e então ficou me perguntando “de onde você vem e pra onde vai?”. Eu disse que vinha da casa de um amigo e ia pra minha casa, que ficava a um quarteirão, mas ele continuava repetindo a pergunta, como se eu estivesse mentindo. Ele me perguntou se eu era estudante da USP, e quando eu disse que sim ele falou que “era difícil falar com estudante”. Ele pediu meu RG, eu dei, e ele falou pra eu esperar encostado a um muro e foi revistar um homem que estava passando de carro.
“Depois que liberou o homem, ele voltou a mim e começou a perguntar como o meu RG foi parar no bolso dele, e ficou me TORTURANDO gritando perguntas sobre quem eu era (?) e onde estava a pessoa que estava comigo, sendo que em todo momento eu estava sozinho. Quanto mais eu dizia que não entendia o que ele estava falando, mais ele me ameaçava dizendo que eu estava mentindo e que iria me levar pra delegacia, chegando inclusive a abrir a porta de trás da viatura e quase me jogar pra trás.
“Eu fiquei parado olhando para ele, perplexo, sem entender nada… eu não estava fazendo nada errado e não tinha a mínima noção do que falar para ele, porque ele ficava insistindo em falar coisas que não tinham nenhum sentido. Eu não sabia se ele estava delirando ou fingindo haver alguma situação errada para me incriminar sem nenhum motivo, então fiquei em pânico sem saber o que esperar daquela situação insana. Acho que minha falta de reação não deu muito interesse a ele, então ele me mandou ir embora correndo, dizendo que se eu quisesse eu poderia ligar para o 190 para reclamar dele, o que deixa claro que ele sabe que a atitude dele não vai ser repreendida.
“Eu me senti tão ameaçado que agora prefiro muito mais encontrar um bandido do que um policial.
“Eu ouvi histórias de estudantes das quais eu duvidei, mas agora ficou muito claro pra mim que muitos policiais da região da Cidade Universitária não procuram conter a criminalidade, mas sim coagir cidadãos”.

Um comentário

  1. olha, eu já ouvi muitas histórias de pessoas que ao serem assaltadas, trocaram uma ideia com o assaltante, que compreensivo, não levou nada, ou levou pouco, eu mesmo, encontrei um homem, de banho tomado e roupas limpas, tinha acabado de sair da assistência social, tava na cara, ex-presidiário que ficou feliz só em saber que eu não o desprezava por ter matado alguém… existe uma realidade muito além da propaganda ideológica que dá tal poder pra tal governador

    Curtir

Os comentários estão desativados.