Editorial: Quem a polícia protege?

Rodas usou de maneira cínica e oportunista a morte de um estudante na Cidade Universitária para convencer a todos de que a presença da polícia no campus era necessária à segurança da comunidade.
A imprensa capitalista repetiu essa ladainha exaustivamente e surgiram até índices que mostravam a queda da criminalidade.
Mas, como era inevitável, os estudantes se revoltaram. Por um motivo muito simples: ideologias à parte,  a presença da polícia no campus se revelou concretamente como um abuso aos olhos dos estudantes.
Em apenas dois meses, centros acadêmicos foram invadidos, estudantes abordados quando apenas liam ou conversavam, estudantes negros parados por puro racismo da polícia. A PM entrou na biblioteca, parou carros, ameaçou pessoas e finalmente quis levar para a delegacia três estudantes que portavam drogas. Foi o estopim.
Mas ela não parou por aí. Mesmo depois da revolta, talvez se sentindo fortalecida pela campanha exaustiva da grande imprensa a seu favor, chegou a agredir um estudante, negro, que se encontrava no Espaço de Vivência do DCE. Um escândalo, mas tudo foi logo abafado: os policiais tinham se “excedido” e foram afastados.
No entanto, as aulas voltaram e a polícia continua com suas barbaridades: revistou crianças que tomavam o circular, “brincaram” (hipótese mais benevolente) com suas armas no P1 e não param de surgir denúncias de abordagens abusivas e repletas de ameaças.
Essa é a natureza da polícia brasileira. É uma polícia militar, cuja função primordial é reprimir, não proteger. Aliás, não apenas ela não é uma proteção, como tem se revelado claramente como uma ameaça à segurança dos estudantes.
Armas apontadas para a cara de estudantes, revistas noturnas e ameaças com a certeza da impunidade. Isso é a segurança que Rodas tanto prometeu? Como o estudante disse em seu relato, muitas vezes nos sentimos mais seguros com o bandido.
Até quando os estudantes, funcionários e professores terão que conviver com homens armados que agora têm poder sobre nossa vida na universidade? Até quando esse estado de sítio na USP?
Se fora do campus, a polícia protege a burguesia e seu estado contra os trabalhadores, na USP serve para proteger apenas o reitor-interventor e os investimentos privados que crescem sob a gestão de Rodas, contra todos os que se opuserem à privatização e destruição da universidade.