OPINIÃO: A Universidade não pode voltar à Idade Média

“Ache a verdade, porque a verdade o livra”
Atualmente surgiu um grupo de graduandos denominados “Reação”. Embora não tenham um programa definido de chapa para o Diretório Central dos Estudantes, apresentam-se como uma crítica à “partidarização e ideologização do movimento estudantil”.
Surgidos no ano passado, defendiam que o movimento estudantil deveria ser apartidário e apolítico, embora mal sabem eles, usando Aristóteles (que devem conhecer bem, pois é a base do modelo de universidade que defendem) que o “homem é por natureza um animal político”.
Passadas as eleições e os pífios resultados por eles alcançados, as máscaras começam a cair. Vários membros são, na verdade, filiados a partidos, de centro-direita, notadamente o PSDB e PV.
Nada contra a vinculação a partidos, Aristóteles certamente aprovaria (não é necessário citar Marx, pois além de terem medo, nunca conseguiram entender a primeira página do Manifesto).
Mas por que esconder a vinculação a esses partidos? Certamente isso tem a ver com o projeto que eles têm de Universidade.
Analisemos um pouco os principais membros da Reação e sua cabeça institucional. Além do dirigente, os demais, notadamente os da FFLCH, funcionam como seus funcionários, batendo boca em assembleias, tumultuando e poupando seu querido líder da exibição desmedida.
Um dos cabeças da “Reação” é o aspirante a pastor Lucas Sorrillo, da Politécnica. Membro atuante da Assembleia de Deus, concorda, como todo fiel evangélico, com as premissas dessa seita: bancada evangélica com a mistura pornográfica entre Estado e religião, fanatismo e perseguição a grupos por eles definidos como “privilegiados” como movimento negro, grupos homossexuais e feministas.
Logo, se estamos observando, na política brasileira o crescimento da interferência de setores religiosos na vida política e civil, o mesmo ocorre na USP.
Como membro da Assembleia de Deus, ligado à Juventude do PSDB e sua ala evangélica radical e raivosa, certamente vai propor:
1) O fim de festas universitárias, substituídas por louvores com cantores gospels!
2) Implantação do Projeto “Eu escolhi esperar”, que prega a virgindade dos jovens e o sexo heterossexual, depois do casamento e somente reprodutivo!
3) Código de vestimenta para mulheres… roupas indecentes não!
4) Seleção de livros universitários… Nada de Marx e autores pagãos! A moda agora é estudar psicologia com Silas Malafaia e finanças com Edir Macedo!
5) Incluir nas Letras a habilitação em Línguas! Hana Macantarva Suya!
6) Construção do novo templo de Salomão na Praça do Relógio!

Alberto Magno

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