Reitoria utiliza USP Destaques para mostrar desprezo às manifestações que exigem o fim de perseguições políticas

Quem leu o último USP Destaques (ed. nº 56) sabe que a reitoria se posicionou publicamente sobre toda a manifestação na USP e do desprezo que tem por ela.
Reconhece como legítimo o decreto de 1972, que é o regimento interno disciplinar, dizendo que a comunidade uspiana não pode viver sem regras, mas não tratou do fato que esse regimento, feito obviamente durante a ditadura militar, dá todas as condições para punir com expulsões estudantes que realizam manifestações políticas.
Legitima também a PM e o papel que ela cumpre no campus, pois constitucionalmente a Polícia estaria resguardada para atuar aqui.
Chama os estudantes da USP de vândalos, e propaga a calúnia de que alguns deles teriam sumido com documentos da Universidade, não dizendo que a reitoria não respeitou a presunção de inocência dos alunos. Isso porque os expulsou, mas não conseguiu provar que os acusados são culpados. Exemplo disso foi a decisão da Justiça estadual que determinou a reintegração do aluno Marcus Padraic Dunne. Segundo o juiz Valentino Aparecido de Andrade, a pena foi “excessiva” ou “ao menos não bem justificada”.
Ainda diz que são “autointulados perseguidos pela ditadura” os professores que assinaram o Manifesto pela Democratização da USP, que contou com a assinatura de mais de 200 nomes. O que dirá sobre isso a família de Zuzu Angel, que assinou o manifesto? E todos os outros familiares de pessoas mortas pelos militares que assinaram o manifesto in memorian? Os “autointulados”? O que dirá os perseguidos políticos e torturados como foram Aton Fon, Celso Lungaretti, Emir Sader, Chico de Oliveira e muitos outros uspianos?
Realmente, se a USP se utiliza de seu veículo institucional para tentar justificar a perseguição política contra qualquer indivíduo, organizado ou não, que se posiciona contra a política adota por ela e que ainda quer a Universidade tome outros rumos se não do conhecimento cada vez mais privatizado e inútil, realmente chegamos ao ponto máximo da ausência de liberdade política dentro da Universidade. Assim como fez com a liberdade de produção científica, a reitoria quer matar a liberdade de manifestação e associação, se utilizando de um regimento baseado nos preceitos de um regime de exceção para nomear e julgar indivíduos como vândalos, extremistas e agressores.
Vale lembrar que Rodas conquistou o segundo lugar nas eleições para reitor e que essas eleições são feitas com um número muitíssimo restrito de toda a comunidade acadêmica. Rodas foi nomeado para assumir o cargo pelo governador da época, José Serra. Começou a governar a USP a partir de uma artimanha de quem não respeita os princípios democráticos da maioria – ainda que uma maioria restrita a um grupo pequeno. Atualmente é investigado pelo Ministério Público com a acusação de descumprir os preceitos da administração pública por nomear pessoas sem concurso público. E assume com determinação a tarefa de minar os opositores político da USP privatizada.
Um golpe nos colocou frente à ira desse governante, espécie de falsário-reitor-ditador. A comunidade acadêmica no seu conjunto – professores, funcionários e estudantes – vai responder à altura?
Aline Scarso,
Estudante de Ciências Sociais