OPINIÃO: O que está em jogo nas eleições do DCE?

Queria fazer aqui algumas considerações sobre o que disse o companheiro Luis Rodrigues na edição anterior*. Em resumo, sua posição é a seguinte: “a esquerda deveria se unir em torno do movimento com maiores chances de vitória”, pois “perder nesse momento pode dar ao movimento do Rodas a justificação para tudo o que ele está fazendo”. Em primeiro lugar é importante destacar que não há nenhuma proposta de união da esquerda. A esquerda, considerada amplamente, está dividida em quatro chapas. O que está se propondo aqui não é que haja uma chapa unitária da esquerda, porque isso sequer é possível no atual momento. A proposta na prática significaria que apenas uma chapa, a 27 de Outubro, deveria se dissolver para apoiar aqueles que ficaram contra toda a mobilização que se realizou contra a polícia no ano passado, como propôs o MNN. Em segundo lugar, o companheiro comete o mesmo erro do MNN, que é o de colocar a eleição como fator fundamental na vitória ou derrota da direita, quando ela é apenas um episódio. Além disso, as últimas gestões do DCE foram compostas basicamente pelos mesmos que concorrem pela chapa “Não vou me adaptar”, à qual o companheiro se refere quando diz que é a que tem mais chances de ganhar. E a vitória deles nas últimas eleições se deu também sobre a direita. E que efeito essa vitória teve contra Rodas e a direita? Nenhum. Tanto que a direita continua levantando a cabeça e o reitor-interventor continua atacando a universidade. Os grupos que compõem essa chapa, Psol e PSTU, em nada contribuíram com a mobilização contra Rodas, nem contra a direita. Ao contrário, se opuseram às mobilizações e repudiaram abertamente a ocupação da reitoria, inclusive fazendo declarações contra o movimento para a imprensa capitalista. Assim, não só ajudaram Rodas como a própria direita da chapa Reação, que diz que o movimento estudantil da USP é minoritário e ilegítimo. A direita não será derrotada em eleições fraudulentas e nem apenas pela gestão que assumir o DCE, mas pela mobilização estudantil. O único caminho para derrotar Rodas e a direita é a luta e por isso, apoiar os que se colocaram contra esse movimento é uma traição e não uma solução. A chapa 27 de Outubro, composta por estudantes de diversas correntes políticas (PCO, LER-QI, POR, Práxis) e por estudantes sem partido que participaram das ocupações da Administração da FFLCH e da Reitoria no ano passado, e lutam para expulsar a PM do campus, contra a ditadura do reitor-interventor que quer privatizar a universidade, se apresenta nas eleições para mostrar aos estudantes uma alternativa à política da direita, que não faz parte do movimento estudantil e que quer reduzir o movimento estudantil à contagem de votos em uma urna, e da “esquerda” que atuou contra a luta dos estudantes, servindo de freio à mobilização geral na universidade contra Rodas e a PM.

* O artigo ao qual a autora se refere foi publicado na coluna “Opinião” da última edição do Jornal da USP Livre! e encontra-se disponível na íntegra na Internet: http://wp.me/p1YwC0-xY

Natália Pimenta Estudante de Letras, militante do PCO e membro da chapa “27 de Outubro”.

Um comentário

  1. Legal a Veja ter feito o apoio a chapa Reação, hoje tal revista é motivo de chacota e desprezo no meio intelectual . Quem não comunga com esta direita nojenta e tinha uma certa dúvida se iria votar na Reação, certamente agora não mais terão. Pessoas que vão numa noite de autógrafos de Reinaldo Azevedo é doer. Qualquer DCE que não seja os de direita. Valeu Reinaldo.

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