A USP sobe nos rankings internacionais e mostra quais são: Os verdadeiros interesses por trás da privatização

Em apenas um ano, a USP saiu do 178º lugar no ranking global da Times Higher Education, publicado em Londres, para a faixa entre o 61º e o  70º lugar, sendo também a única representante da América Latina. No ano passado, a USP não figurava nem entre as cem melhores universidades.
Em primeiro lugar, figura no ranking a Universidade de Harvard, em segundo, o Instituto Tecnológico de Massachusetts e em terceiro, a Universidade de Cambridge. Os dois primeiros norte-americanos e a última britânica, sendo que os Estados Unidos têm 44 universidades entre as 100 mais bem avaliadas.
A USP aparece ainda em melhor posição no ranking de reputação feito pelo THE e ainda aparece em 20º lugar na listagem de universidades com maior visibilidade na internet.
As revistas internacionais têm dado um verdadeiro destaque à Universidade de São Paulo. Outro ranking, este elaborado pelo Centro de Universidades de Classe Mundial (CWCU), chamado Ranking Acadêmico de Universidades do Mundo, afirmou que a USP é a universidade que mais forma doutores mundialmente e a terceira colocada em verba anual para pesquisa.
Sobre esses rankings, a imprensa capitalista afirma que a “USP leva o Brasil à elite do ensino mundial”. Tanta propaganda da USP não é à toa. Basta que se comparem as universidades líderes desses rankings, quase 50% delas norte-americanas com a própria USP. Qual a principal diferença?
A diferença fundamental é o tipo de financiamento, enquanto na USP, 100% do seu financiamento é estatal, as universidades norte-americanas, que são privadas, obtêm 100% de seu financiamento de entidades privadas.
Segundo algumas pesquisas, 30% da receita das universidades norte-americanas advêm de fundações, 20% de ex-alunos, outros 20% de empresas, 14% de mensalidades pagas pelos próprios estudantes e o restante de organizações religiosas e outras organizações privadas.
As grandes universidades norte-americanas, como Harvard, Yale ou Princeton, são todas privadas.
Esses rankings internacionais veem com uma recomendação às universidades bem colocadas. Para a USP a mensagem foi clara e foi dada por ninguém menos que um dos representantes de uma das principais instituições financeiras globais: o Banco Mundial. Jamil Salmi declarou: “os estudantes não pagam nada, os funcionários não podem ser demitidos e o currículo é antiquado e politizado”.
A mensagem é: se a USP quer galgar melhores posições deve cobrar mensalidade de seus estudantes, facilitar a demissão dos seus funcionários e adotar a ideologia “neoliberal” como ideologia de ensino, ou seja, ser destruída e funcionar como um negócio privado. Não se trata de uma sugestão.
A existência de uma universidade como a USP em um país explorado pelo imperialismo como o nosso é um dos pontos de partida para uma verdadeira independência dos interesses econômicos e políticos do imperialismo. Não há país independente se este não é capaz de formar seus cidadãos, de dar condições para que sua própria população promova o desenvolvimento cultural, econômico e social. Os governos dos países mais ricos do mundo ditam as regras, o ritmo e os limites do desenvolvimento de países como o Brasil (e a maioria no mundo): uma semi-colônia do imperialismo mundial.
A “modernização” defendida por Rodas não passa de um disfarce para a privatização da universidade. Trata-se da destruição da USP enquanto universidade pública e gratuita, não só mediante a introdução de cursos pagos e da venda direta de partes de sua estrutura física e acadêmica para entes privados. A privatização da USP é a destriução da universidade pública e gratuita, sua liquidação enquanto tal, para atender aos interesses dos empresários e banqueiros que querem lucrar explorando um patrimônio de todo o povo brasileiro.
Rodas entendeu o “recado” dado pelas organizações internacionais que criaram os rankings de “excelência” e está levando adiante o plano do governo do PSDB para a USP. Cabe principalmente aos estudantes, mas também aos funcionários e professores que defendem a universidade pública e gratuita travar uma luta sem trégua contra a privatização da USP.