Editorial: A imprensa capitalista e a USP

Provavelmente, nunca uma eleição de DCE foi acompanhada tão de perto pela imprensa capitalista como a que está ocorrendo agora na USP.
A revista Veja, principalmente por meio do blogueiro Reinaldo Azevedo, se dedica em atacar o movimento estudantil e fazer campanha aberta pela chapa da direita. Mas o jornal O Estado de S. Paulo é o que tem dado maior destaque ao tema, acompanhando os principais acontecimentos da semana, os debates etc. em uma seção criada especialmente para esse fim.
É inevitável nos perguntarmos qual o interesse de um dos maiores jornais do país em uma eleição estudantil em uma universidade.
É evidente que, para eles, o que vem acontecendo na Universidade de São Paulo é extremamente importante. Durante a ocupação da reitoria, em 2007, esse mesmo jornal chegou a tirar doze editoriais em 50 dias, procurando analisar o movimento.
A mobilização dos estudantes na USP é um choque com a política da direita, que tem no PSDB sua maior expressão. As tentativas de privatizar e destruir a universidade, de implementar uma política repressiva nas universidades, vêm sendo combatidas pelos estudantes com mobilizações cada vez maiores. Em 2007 ficou claro que estava surgindo um novo movimento, independente não só da reitoria e do governo, como das tradicionais direções burocráticas do movimento, que sempre procuraram colocar um freio à luta.
O inexpressivo movimento de direita dentro da universidade é uma resposta do próprio governo do PSDB a essa mobilização.
Em um momento em que as mobilizações estudantis têm se generalizado no país e entrado em confronto com os diversos governos, a direita está procurando criar o seu próprio “movimento” que é na realidade um anti-movimento estudantil. Um grupo que atue permanentemente contra os estudantes em qualquer mobilização e sirvam de plataforma para as políticas da direita, como ocorre na Venezuela. Assim, se criaria um contrapeso às mobilizações estudantis. Os estudantes protestam, mas também há aqueles que se opõem ao protesto, que apoiam o governo, diria a direita.
Foi o que tentaram fazer na USP. Enquanto três mil saíam às ruas contra Rodas e a PM do dia 27 de outubro passado, 30 estudantes da direita, que a imprensa transformou em 300, realizavam um ato a favor da polícia. Isso já era o suficiente para dizer que a ação dos três mil era de minoria, quando é evidente que a minoria estava representada pelo outro ato.
Com o DCE na mão da direita, essa política ganharia ainda mais força. Por isso, chapas como a direitista “Reação” já ganharam, com o apoio da imprensa capitalista, o DCE da UnB, da UFMG e outras. Mas é a USP o coração do movimento estudantil e é lá que a direita precisa se implantar para ter algum respaldo nacionalmente. A disputa que se expressa de maneira distorcida na eleição para o DCE da USP é entre a universidade pública e gratuita e a privatização; a política repressiva da direita e a luta da população em defesa de seus direitos democráticos; entre um movimento estudantil atrelado ao governo e a reitoria e um movimento independente e de luta.