O coronel da PM no comando da Guarda Universitária propôs uma solução angelical: “a cultura da paz”

O Jornal USP Livre! já havia noticiado as prováveis implicações da reforma estrutural das repartições da USP. (ver: http://wp.me/p1YwC0-C2 ) E a previsão se concretizou: a centralização de alguns órgãos, a mudança na nomenclatura e a criação de novas superintendências estão levando à militarização da USP.
Recentemente, Luiz de Castro Júnior, coronel aposentado e ex-diretor da “Polícia Comunitária e Direitos Humanos” da PM assumiu a direção da recém-criada Superintendência de Segurança. O cargo caiu como uma luva.
Rodas preparou o terreno para dar as boas-vindas ao milico. Para presentear-lhe com o cargo, transformou o perfil das repartições; não mais nomenclaturas que aparentam decisões “democráticas”, mas termos que fazem alusão aos órgãos burocráticos policiais. Assim, do jeitinho que os milicos gostam. O fetichismo militar de Rodas não pára por aí. Foi preciso trazer Luiz de Castro para perto, dedicar-lhe um alto posto, um grande poder, sem submetê-lo a outras instâncias; afinal, ele será seu braço direito para executar sua tarefa mais importante: bater, prender e perseguir os estudantes que protestam contra a privatização da universidade colocada em marcha pelo reitor-interventor.
Em meio aos elogios dedicados ao policial militar, Rodas disse que “um professor, por sua formação, não tem as características necessárias para assumir essa área”.
O máximo que a burocracia universitária conseguiu foi permitir a centralização de alguns órgãos; ocupar o cargo de torturador talvez seja demais para um burocrata de carreira acadêmica.
Mas, incrivelmente, a proposta de estruturação da SEG se fundamenta na concepção da cultura de “paz”, definida pela ONU: “o conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados, entre outros pontos, no respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação; e na adesão aos princípios de liberdade, justiça, democracia, tolerância, solidariedade, cooperação, pluralismo, diversidade cultural, diálogo e entendimento em todos os níveis da sociedade”. Nem em um conto de fadas isso existe. Até porque, quem alimentaria fantasias em relação aos militares? O país já experimentou a barbárie do regime militar. A demagogia barata como essa, perdeu todo o seu poder de ilusão.
Para ilustrar a profundidade da charlatanice de Rodas, relembremos o que o convênio com a PM, firmado em agosto de 2011, determina: “ações e medidas de segurança e policiamento na Cidade Universitária baseadas no conceito de policiamento comunitário e participativo”.
Agora, relembremos, sem o menor esforço, o que já foi realizado através desse “policiamento comunitário e participativo”: a operação de guerra montada para desocupar os estudantes da reitoria, que resultou em 73 estudantes presos por protestarem contra a repressão policial; o fechamento dos espaços de vivência dos estudantes; 12 estudantes presos na desocupação do térreo do bloco G do CRUSP em pleno domingo de carnaval por lutarem por permanência estudantil; um estudante negro ameaçado por um policial militar que sacou sua pistola para intimidá-lo durante a desocupação do Centro de Vivência do DCE; crianças negras revistadas e subjugadas pela PM; estudantes revistados cotidianamente entre outras atrocidades.
O que se pode concluir é que os termos utilizados pela burocracia universitária para caracterizar um perfil ou uma política devem ser entendidos sob seu antônimo; são comprovações práticas. Comunitário, deve ser entendido como inconsonante; participativo, como não-participativo, autoritário.
Para bom entendedor, meia palavra basta. Não é necessário discorrer longamente para definir o que o coronel Luiz de Castro vai fazer uma vez estabelecido no comando da Guarda Universitária e colocando em prática seu plano de “cultura de paz”. Capisce?