Denúncia sobre o envolvimento da PM que atua no campus com o crime organizado está sendo abafada pela grande imprensa

A USP nas mãos dos bandidos fardados Na USP, os policiais são comprovadamente bandidos.  E a imprensa burguesa não tem nada a declarar…

Nas últimas semanas, uma reportagem da rede de televisão Bandeirantes revelou muito do que está por trás na operação colocada em marcha pelo reitor-interventor João Grandino Rodas e o governo do Estado, do PSDB, de sitiar a USP com a Polícia Militar.
O depoimento de um ex- investigador da Polícia Civil foi claro: a Polícia Militar que atua na USP [do 16º Batalhão da PM] é paga semanalmente com elevados valores pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o investigador, que só denunciou à televisão este fato sob a condição de anonimato, os policiais militares estariam, inclusive, recebendo encomendas de morte do PCC. “Agora, quem aperta o gatilho, são policiais militares”, declararam os apresentadores do Jornal da Band.
O envolvimento da Polícia Militar com o tráfico de drogas não é novidade para ninguém, aliás, todos sabem que essa é a regra na polícia, no entanto, nesse caso, a denúncia é bastante reveladora.
Isto porque os Policiais Militares foram colocados na USP sob uma intensa campanha montada pelo governo do estado e pelo reitor com os cínicos pretextos de “trazer a paz” e “garantir a segurança” em uma situação criada em grande medida pela própria imprensa burguesa que falava, meses atrás, de uma “crise de segurança”. Como seria possível que a polícia trouxesse mais segurança à USP uma vez que os próprios policiais do 16º BP que atuam no campus foram investigados por receberem encomendas de morte do crime organizado? A “solução” apresentada pelo governo para supostamente conter a marginália na USP foi colocar os piores marginais para vigiar as ruas da Cidade Universitária.
A campanha do reitor e do governo do estado foi por água a baixo. Os grandes “promotores da paz” são, na realidade, grandes aliados do tráfico de drogas. Isso que fez cair por terra também a campanha da venal revista Veja, do Estado de S. Paulo e da direita contra os estudantes da USP, de que estes eram “maconheiros”, “vândalos”, “criminosos”, quando quem são os criminosos são os policiais que eles ajudaram a colocar na universidade. Os documentos que corroboram a denúncia foram, inclusive, apresentados ao comando da PM e ao próprio governador do estado que, tal como Rodas, é obrigado pela Lei a dar andamento à investigação e apuração dos fatos e à punição dos responsáveis. A Lei, no entanto, só serve quando é para ser usada contra os que protestam contra os poderosos.
E é bom que fique claro que nenhum desses órgãos de imprensa se tratará os policiais por criminosos, reservando as acusações exclusivamente aos estudantes que lutam em defesa da universidade pública e gratuita.
O silêncio da imprensa burguesa, que no período anterior cobriu amplamente os acontecimentos na USP na época da ocupação da reitoria, é um testemunho de que está em marcha mais uma operação montada para defender interesses escusos e ocultar da população e, em particular, da comunidade universitária, o que está de fato acontecendo.
Isso fica claro mais ainda quando o ex – investigador da Polícia Civil afirma que a Secretaria de Segurança Pública arquivou a denúncia e designou os policiais para fazerem o patrulhamento da USP. Por que será que a conivência da Secretaria de Segurança Pública com os crimes cometidos pelos Policiais Militares não será alvo dos questionamentos dos órgãos da imprensa burguesa?
A mesma imprensa que fez um grande alarde na época em que o estudante Felipe Ramos Paiva foi assassinado dentro do campus para defender a entrada da polícia na universidade supostamente para prevenir crimes como esse (sobre o qual falaremos nas próximas edições) não tem nada a dizer sobre o envolvimento dos policiais militares com o crime organizado?
Uma denúncia como essa que esclarece todos os recentes acontecimentos na USP será relegada ao esquecimento pela venal imprensa burguesa brasileira. A ocupação da reitoria pelos estudantes em protesto contra a Polícia Militar no campus, no entanto, foi capa de vários jornais por semanas, nas quais os jornalistas direitistas “paladinos da justiça” e “defensores da paz” disseram: os estudantes não querem a polícia porque querem fumar maconha no campus.
Era evidente que isso era uma tentativa de caluniar o movimento de luta dos estudantes. Agora, a máscara caiu.
Apesar de toda a campanha direitista e, porque não dizer criminosa, da imprensa burguesa, os estudantes fizeram o que devia ser feito: protestaram veementemente contra a polícia no campus e devem continuar se organizando para expulsá-la da universidade.     L.G. e R.D.