A privatização começa pela pós-graduação

Rodas disse em várias entrevistas que qualquer “modernização” é logo tachada de “privatização” e até mesmo que essa era uma invenção de determinados setores.
Agora, o REItor da USP já está colocando em marcha abertamente a privatização.
Após colocar o circular nas mãos da empresa privada SPtrans, foi divulgado o novo regimento da pós-graduação

A burocracia universitária queria aprovar rapidamente, mas foi impedida pela manifestação contrária dos estudantes e de alguns professores.
Esse novo regimento trará mudanças como: exame de qualificação obrigatório para todos os alunos da pós-graduação, a realizar-se em até 12 meses de seu ingresso;  exclusão da possibilidade de re-apresentação do Relatório de Qualificação no caso de reprovação; necessidade de parecer prévio por escrito para teses de doutorado, podendo o candidato/aluno ser impedido de defender publicamente seu trabalho no caso de a maioria dos pareceres escritos indicar inaptidão à defesa;  orientador sem direito a voto nas bancas examinadoras finais.
Além disso, na “nova USP” do Rodas o regimento autorizará as entidades privadas “parceiras” a cobrar mensalidade dos estudantes da Pós-graduação.
Citaremos trechos da carta publicada pela Profa Dra Rita de Cássia Ariza da Cruz, que é Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da FFLCH/USP “A principal argumentação utilizada pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação para justificar tais mudanças é a referência a IES [instituições de ensino superior] estrangeiras, as quais têm modus operandi similares ou iguais a este que se propõe hoje para o Regimento da Pós-Graduação da USP, ressaltando-se o fato de que tais Instituições são melhores ranqueadas internacionalmente que nós. (…) Oxford, por sua vez, tem, aparentemente, um orçamento igual ao da USP hoje, mas como a comunidade estudantil oxfordiana é 70% menor que a nossa, a universidade inglesa, com quase mil anos de história, empenha cerca de R$150.000 por aluno. Certamente, os seus quase dez séculos de história foram importantes na definição de suas políticas acadêmicas e, especialmente, de pesquisa. Estaremos nós querendo ser mais oxfordianos que nossos colegas ingleses? Ou será que queremos mesmo é ser mais realistas que o rei?”
A suposta argumentação da pró-reitoria de graduação orientada por Rodas cai por terra com os dados apresentados pela professora. Esse é também um dos argumentos de Rodas para cobrar mensalidade dos estudantes na graduação. Segundo ele, “O Brasil é um dos únicos no mundo a garantir a gratuidade a todos os alunos de universidade mantidas com o dinheiro do governo.”
A instalação de catracas e cartão com chip são também medidas preparatórias para a cobrança de mensalidade.