As aventuras de Rodinhas – Episódio de hoje: A festa junina (I)

Na festa junina da Escola, enquanto os colegas comiam pipoca e pé-de-moleque, Rodinhas estava preocupado em realizar mais uma das suas ações malévolas, com seus comparsas, digo, amigos que o admiravam.
Rodinhas gostava mesmo era de dançar a quadrilha. A essas alturas de sua vida escolar, ele já tinha alguns malandros em sua companhia. O principal deles era o Valdinho, pois este gostava das brincadeiras do Rodinhas, de espancar e de prender os colegas, assustar – principalmente as meninas – e dar vazão ao seu ímpeto de ver o sofrimento alheio. Isso o fazia se sentir corajoso.
Rodinhas pulava a fogueira – eta nóis! – pulava a fogueira outra vez e ia para o lado escuro da escola, onde ninguém o via. Ali estava seguro o suficiente para armar sua bomba. Reuniu todos os rojões que pôde, juntamente com o Valdinho e o Peninha; colocou-os todos dentro de uma lata grande; fechou-a bem, deixando passar um rastilho improvisado com um cordão; acendeu o pavio e saiu dali rapidamente, com seus comparsas.
Bem ao lado da Escola havia uma espécie de abrigo de crianças pobres, que estavam repousando. Rodinhas e os outros colocaram sua bomba o mais próximo possível da janela que dava para o quarto em que as crianças dormiam.
Rodinhas, Valdinho e Peninha voltaram para junto dos outros, com suas auréolas armadas no alto da cabeça. Receberam até um elogio da tia Geralda, por comportamento exemplar. De repente, um estrondo enorme: Buuum! As crianças do orfanato começaram a chorar, houve desespero das senhoras que cuidavam delas, que não sabiam o que fazer, pois não havia ferimentos visíveis. O pânico se espalhou.
O que Rodinhas lucrou com isso? Impossível saber. Só é fácil de adivinhar o que a comunidade ganhou, ao fingir que nada de grave ocorreu, porque nenhum sangue foi derramado. E isso é o quanto basta para um mau-caráter em formação fazer uma coisa pior, na próxima vez.
por Reginaldo Parcianello