Sobre os métodos de mobilização

Participei nessa segunda-feira do debate promovido pela FFLCH em sala de aula com o tema “Democracia na USP”. Sou meio tímida para falar em público, mas queria expressar minha opinião, por isso escrevi para vocês.
Vi muitas pessoas questionarem a forma como alguns estudantes atuaram no ano passado, ocupando a reitoria e mesmo com relação à greve. Alguns falam que era desnecessário e outros que há outras formas de mobilização.
A primeira coisa que me pergunto quando escuto esse tipo de coisa é: o que essas pessoas que tanto criticam fizeram?
Eu mesma não briguei com a polícia naquele fatídico dia, não ocupei nenhum prédio, nem tenho condições de avaliar se a ocupação foi mesmo a melhor medida a ser tomada, mas apóio totalmente aqueles que ocuparam, porque fizeram alguma coisa, inclusive pelos que, como eu, não tinham condições de se movimentar.
Dizem que há outras formas de luta. Eu, particularmente, desconheço. O debate promovido pela faculdade parece uma boa iniciativa, mas duvido que o reitor vai mudar um milímetro sequer a política dele em função desses debates que, inclusive, não teriam acontecido não fosse toda a repercussão que teve o movimento no ano passado.
Se as ocupações e greves são tão combatidas pela mídia deve ser porque elas têm alguma efetividade.
Quando no dia 8 de novembro acordei e vi na televisão a USP sitiada pela tropa de choque me senti violentada: parecia que tínhamos voltado à ditadura. Eu senti que, mesmo nem tendo pisado na reitoria, eu é que estava sendo presa, eu estava sendo agredida; eu era aqueles estudantes.
O movimento foi então irresistível. A greve era necessária. Não podia haver aula; mais de setenta estudantes como eu estavam presos naquele momento. E a greve aconteceu, apesar de toda a calúnia, de toda a intimidação e das diversas amarras que impediam o movimento.
A greve não era necessária? A ocupação, uma loucura? Mas eu pergunto: o que mais se pode fazer quando não se é ouvido e quando a polícia vem calar sua voz?
Bárbara, estudante de Letras