As aventuras de Rodinhas – Episódio de hoje: A festa junina (II)

Outra brincadeira de que Rodinhas gostava muito, nas festas juninas, era a cadeia. Seu entusiasmo subia às estrelas, nessas ocasiões. Novamente, com Peninha e Valdinho, ele saltava à frente de todos e se colocava prontamente à disposição da tia Geralda:
− Deixa que eu organizo! Deixa que eu organizo!
“Organizo”, na linguagem do Rodinhas e de seus comparsas, significava: “Eu intimido, eu prendo, eu bato”. E ninguém saía da cadeia enquanto não desse todo o dinheiro que tinha.
Rodinhas costumava dissimular muito bem, como sabemos, quando ia pôr em prática seus planos sinistros. Ele ainda mostrou capacidade de liderança, ao providenciar tudo o que era necessário para a brincadeira da cadeia.
− Pega! Não deixa escapar!
É a ordem do Valdinho, e a brincadeira tem início. O encarregado do cárcere é o Peninha. Mal a festa junina começava a esquentar, a cadeia já estava cheia. Alguns aluninhos mais impacientes logo pagavam a fiança e eram libertados. Só que não adiantava muito: a seguir, eles eram pegos outra vez, quando se afastavam um pouco da fogueira.
Ao final da festa, Rodinhas, que de bobo só tem a cara, entregou parte do dinheiro arrecadado para a tia Geralda, e repartiu o restante com os seus comparsas. Claro que a maior parte ficou com ele.
Tia Geralda gostou muito disso tudo. Percebeu a conveniência de um recreio sem ninguém incomodando e resolveu promover a brincadeira da cadeia com mais frequência. A única regra era: todos os que saíssem de uma pequena área marcada no pátio da escola poderiam ser presos. E até sugeriu que o aluninho que fosse preso uma segunda vez pagasse o dobro da fiança.
Foi perfeito o teste de uma das brincadeiras que provavam à imaginação de Rodinhas que ele poderia ser Rei, no futuro: assustar crianças, aterrorizar mulheres, perseguir súditos infiéis e conservar o ar de inocente. E, para comemorar a arrecadação e as prisões, Rodinhas, Valdinho, Peninha e tia Geralda dançaram a quadrilha, dessa vez, ao som da música “Juntos”, de Iago Aguiar, do grupo Pelegos-em-SOL.

por Reginaldo Parcianello e Katya S. S. Parcianello