João Grandino Rodas – De segundo colocado a imperador universitário

João Grandino Rodas foi nomeado reitor em 13 de Novembro de 2009, pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Desde o regime militar brasileiro, essa foi a primeira vez que um reitor foi escolhido a dedo pelo governador, sem levar em conta a decisão dos órgãos colegiados

Antes de assumir o posto de reitor-interventor, Rodas estreou a repressão como diretor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Convocou a Polícia Militar, no dia 22 de agosto de 2007, para reprimir estudantes e trabalhadores durante uma manifestação. Antes da ocasião, já havia tentado instalar catracas para restringir o acesso às Arcadas. Rodas também foi responsável por destinar um andar de um prédio que seria utilizado para ampliar as instalações da faculdade ao banco Santander.
Celso Lafer, presidente da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), encabeçou a propaganda política para a eleição de Rodas como diretor.
Rodas foi membro da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos entre 1995 e 2002 favorecendo os militares em muitos casos. Seu parecer no caso de Zuzu Angel e no do estudante Edson Luís foi de que não havia provas da culpabilidade dos militares no caso.
As medidas arbitrárias de Rodas na direção da Faculdade de Direto renderam o título de persona non grata.
Como disse Alexandre Dumas (filho), “o dinheiro é o único poder que nunca se discute”. Depois de imposto pelo governo à USP, Rodas obteve ambos, dinheiro e poder. E tentou calar qualquer discussão.
No início de seu mandado como reitor, em maio de 2010, Rodas cortou o ponto de mil e seiscentos trabalhadores como forma de retaliação por terem realizado uma greve por reajuste salarial, além de ter mandado a polícia militar reprimir um protesto dos funcionários.
Em janeiro de 2011, Rodas demitiu 271 funcionários contratados pela CLT, sem nenhum comunicado oficial da reitoria. Eles foram aposentados de forma compulsória.
No início de 2011, Rodas tentou fechar os cursos de Obstetrícia e um terço das vagas da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (a USP-Leste).
No dia 8 de novembro, mais de 400 policiais de diversos grupos como o Comando de Operações Especiais, cavalaria, canil, e a tropa de choque da PM invadiram a USP para reprimir uma manifestação política, a ocupação da reitoria. 73 estudantes foram levados presos e estes, hoje, estão recebendo aos poucos a convocação para depor em um inquérito aberto pela própria reitoria com o objetivo de sancionar sua “eliminação” do quadro discente.
No domingo de carnaval desse ano, a Polícia Militar foi usada mais uma vez para prender estudantes dentro da Cidade Universitária, levando 12 companheiros à delegacia por participarem da ocupação do térreo do Bloco G do CRUSP, a “Moradia Retomada”.
O reitor-interventor tem ainda em seu currículo mais de 100 processos contra estudantes e funcionários e a expulsão de seis estudantes que lutavam por moradia estudantil em dezembro do ano passado.
A mobilização dos estudantes contra o reitor expôs a situação em que se encontra a USP: preparada para a privatização – policiais para conter a resistência, processos administrativos e criminais para intimidar quem se opuser ao plano de entrega da universidade à iniciativa privada.
Entre as medidas mais recentes do reitor-interventor está a reformulação do regimento da pós-graduação – que estabelece a possibilidade de cursos pagos – e a nomeação de um ex-coronel da PM para controlar a Superintendência de Segurança (SS).
Motivos não faltam. Ainda é preciso lutar: Fora Rodas!