Pinky e Cérebro

Pinky e Sérrebro

Rodas foi o segundo colocado nas eleições para reitor. Mesmo assim, foi “eleito”. Por pior que seja a maneira como se escolhe o reitor da USP (uma eleição feita em colégio eleitoral, sem a participação da esmagadora maioria da universidade, que elabora uma lista tríplice para que dela o governador indique um nome), à época José Serra repetiu um feito realizado apenas por Paulo Maluf, à época governador biônico do estado: ignorou o voto dos professores nas congregações e no Conselho Universitário e escolheu o segundo colocado para mandar na USP.
Rodas não foi escolhido. Foi imposto.
Não fosse a escolha de José Serra em 2009, não seria possível que o ex-diretor – e persona non grata – da Faculdade de Direito do Largo São Francisco chegasse tão longe.
Recentemente, o reitor-interventor da USP assumiu o cargo de presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP) e, nesta semana, foi anunciado que Rodas ocupará também um cargo como conselheiro na Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP).
Seu mandato à frente do Conselho Superior da entidade, ao lado de Alejandro Szanto de Toledo e da ex-reitora da USP Suely Vilela, começou a ser exercido nesta quinta-feira, dia 19. A forma como chegou ao cargo na FAPESP é, por si só, um escárnio: Rodas foi novamente escolhido pelo governador a partir de uma lista tríplice elaborada pelo Conselho Universitário da USP.
O que quer o governo do PSDB depois de ter colocado um reitor biônico na USP, alçando-o à presidência do CRUESP e ao Conselho Superior da FAPESP?
Na USP, Rodas controla um orçamento de mais de R$3,9 bilhões. No CRUESP, descontado o orçamento da própria USP, restam o da Unesp e da Unicamp que, somados, chegam a outros R$3,4 bilhões. Com a FAPESP nas mãos, mais R$1,032 bilhões circulam sob a supervisão do reitor-interventor.
Ao todo, Rodas, o eterno segundo colocado, controla mais de R$8,3 bilhões. É mais dinheiro do que o próprio Congresso Nacional dispõe, atualmente cerca de R$6 bilhões. Praticamente sozinho, Rodas controla mais dinheiro do que oito dos estados mais pobres do país (Sergipe, Alagoas, Piauí, Rondônia, Tocantins, Amapá, Roraima e Acre).
Pra que dar todo esse dinheiro nas mãos do reitor biônico da USP?
Pra que, por meio dele, impor a presença da Polícia Militar no maior campus da USP?
E a reforma da pós-graduação? Esta não foi previamente discutida em nenhuma instância na universidade, e surgiu como um raio em céu azul anunciando que, daqui pra frente, o diploma de doutor só será dado a quem puder pagar por ele.
O plano de Rodas e do PSDB não é totalmente conhecido da população. Aqueles que defendem esse plano parecem não se importar com que ele seja quase secreto, conduzido à revelia dos próprios estudantes e funcionários e da maioria dos professores das três universidades estaduais paulistas. Dizem que, uma vez que o governador foi eleito, tudo o que ele fizer deveria ser aceito pela população pois ela o teria justamente escolhido para isso. Depois que vota, o povo é simplesmente deixado de lado, sua opinião não importa pois temos à frente do estado um representante eleito “democraticamente”. Não deveríamos, pelo menos, saber o que pretendem fazer?
Se a “democracia” em que vivemos permite que o governo e o reitor biônico conspirem contra o interesse do povo, é lícito que o povo desconfie e se oponha ao que vem a conhecer dos planos colocados em Pratica às costas de todos.
Da boca do reitor biônico só ouvimos os pretextos e justificativas, repetidos à exaustão pela imprensa venal e subserviente aos interesses dele e do governo. “Falta segurança”. “É preciso ‘modernizar’ a USP”. “Os que protestam contra a polícia e a privatização são uma minoria de ‘baderneiros’”.
Sentimos na pele a repressão policial, a intimidação, as ameaças, as calúnias levantadas contra todos os que se opõem à destruição do ensino público e gratuito.
Pinky e Cérebro tinham um plano. Por mais estrambótico que fosse, pelo menos se davam ao trabalho de contar ao público o que pretendiam fazer para “tentar dominar o mundo”.
Serra e Rodas foram dissimulados. Negam o que estão fazendo, por mais óbvio que pareça aos olhos de quem queira ver.
Rafael Dantas