Editorial: Quem vigia os vigilantes?

A escalada repressiva encabeçada por Rodas na USP parece não ter limites.
Agora, com a Guarda Universitária controlada diretamente por um ex-policial militar, a reitoria e o governo querem colocar uma pedra na questão da “segurança” na USP. Repetem insistentemente a mentira de que repressão é igual a segurança.
Estaríamos todos, estudantes, funcionários e professores, mais “seguros” sabendo que a própria Polícia Militar está nos vigiando? Ou, ainda, que agora a Guarda Universitária receberá treinamento e recursos para atuar mais “decisivamente” na “manutenção da ordem pública”, como o afirmou o ex-coronel da PM à frente da Superintendência de Segurança (S.S.) criada por Rodas?
A comunidade universitária tem menos segurança ainda pois sabe que os abusos praticados pela polícia, como o caso do estudante Nicolas Barreto, que ficou sob a mira da arma de um policial militar durante a desocupação do Centro de Vivência do DCE, são “apurados”, “julgados” e “punidos” pelos próprios policiais. Na prática, os policiais que atuam na USP podem fazer o que bem entenderem ao lidar com os estudantes. Sabem que, quando muito, sofrerão apenas uma repreensão de seus superiores ou, no extremo, uma leve punição.
Que razão têm os que frequentam a USP para se sentir seguros sabendo que os policiais do 16º Batalhão da PM, destacado para patrulhar as ruas da Cidade Universitária, são os mesmos acusados em uma investigação conduzida pela Polícia Civil de receber propina e trabalhar a serviço do crime organizado e do tráfico de drogas na universidade? Quanto mais ao saber que até mesmo essa denúncia – gravíssima, por sinal – foi ignorada pelo comando da PM, pela Secretaria de Segurança Pública e pelo próprio governador do estado?
Os estudantes, professores e funcionários rejeitaram a presença e a intervenção da PM no campus. A criação da S.S. de Rodas foi um complemento à invasão da PM para tentar bloquear todas as formas de resistência da comunidade uspiana à entrega da instituição à iniciativa privada.
De maneira mais escancarada, reitoria e governo do estado utilizam a PM, os processos contra estudantes e funcionários, as eliminações e demissões para perseguir e punir os que se levantaram contra a ditadura do reitor-interventor e a privatização da USP.
A polícia, corrupta e violenta como é, vigia a USP. Mas quem vigia os vigilantes?