Superintendência de Segurança: A S.S. de Rodas

O reitor-interventor criou sua própria S.S., a Superintendência de Segurança, para aumentar o controle e a perseguição sobre os estudantes. Estarão no comando da mesma três ex-coronéis “linha-dura” da PM paulista


João Grandino Rodas criou sua própria S.S. A Superintendência de Segurança será chefiada por três ex- coronéis da Policia Militar e controlará o trabalho de toda a Guarda Universitária (GU).
A S.S. contará com R$ 10 milhões de recursos públicos para investir em um aparato policial de 380 homens à sua disposição. “Casos de vandalismo (leia-se: ocupação de prédios), uso de drogas e outros crimes serão encaminhados a ela (à S.S.)”, declarou em entrevista o ex- coronel “linha-dura” da PM paulista, Luiz de Castro, que vai comandar o novo órgão.
A capacidade de vigiar, perseguir, se infiltrar nos meios de organização dos estudantes, funcionários e professores da nova S.S. será gigantesca.
Luiz de Castro foi escolhido a dedo por ninguém menos que Álvaro Camilo, ex-comandante-geral da PM paulista que liderou a intervenção policial na Cracolândia e no Pinheirinho.
Em 2007, descobriu-se o esquema de vigilância e espionagem realizado pela Guarda Universitária da USP, que durante anos foi comandada pelo investigador da Polícia Civil, Ronaldo Penna.
Documentos com informações sobre assembleias do Sintusp, relatórios das atividades diárias dos diretores do sindicato, reuniões estudantis no CRUSP e relatórios de assembleias estudantis foram descobertos recentemente.
Em resumo, foi revelada a existência de um órgão de inteligência policial na universidade semelhante ao da ditadura. Ao invés de abolir esse esquema criminoso, o reitor resolveu aperfeiçoá-lo, reunindo as funções de patrulhamento do campus, arapongagem e repressão na sua própria S.S.
A S.S. original se chamava  Schutzstaffel (“Tropa de Proteção”) e foi formada para proteger os dirigentes do partido nazista. A SS chegou a formar um exército próprio e aglomerou a Gestapo, polícia secreta, que funcionava também com um serviço de espionagem.
Semelhante à S.S. de Hitler que perseguia quem fosse contrário ao regime nazista, a S.S. de Rodas organizará a perseguição aos estudantes que se mobilizam contra a privatização e os ataques promovidos por Rodas à comunidade universitária.
Os estudantes não serão levados a campos de concentração, mas serão processados (como já estão sendo) e muitos podem ser “eliminados” da USP, ou seja, nunca mais poderão voltar a ter vínculo com esta universidade.
Essa é, oficialmente, a penalidade “máxima” que o reichstag do senhor João Grandino Rodas pode aplicar. É preciso dizer, ainda que de passagem, que as “eliminações” só foram utilizadas como punição durante a época da ditadura militar, quando foram instituídas no Regimento da universidade.    L.G.