Traídos no primeiro encontro

27 de outubro de 2011: Psol-PSTU escolta estudantes até o camburão, após expulsão da PM.

O MNN escolheu mau seu pretendente. Foi traído na assembleia geral da quinta-feira 19/4, no que seria o “primeiro encontro” do seu novo relacionamento com a nova-velha gestão do DCE.
Apesar de insistirem pela “unidade” com os pelegos de sempre, os MNN não viram que na verdade a direção do DCE está interessada em agradar outra: a Reação.
Na resolução aprovada no último CCA, a gestão “Não vou me adaptar” (Psol e PSTU) já declarou seu amor pela direita organizada na chapa “Reação” (PSDB e tutti quanti). Aprovaram, depois de se esforçar para chegar a um acordo com os direitistas, uma moção na qual dizem ser “contra” a punição aos estudantes que estão sendo processados pela reitoria, mas defendem que “tod@s tenham direito de defesa com um processo aberto e transparente”. Ou seja: não repudiam o processo, apenas reivindicam que a reitoria haja com “democracia” e “transparência” ao expulsar os estudantes que participaram da ocupação da reitoria no ano passado.
Confrontados por esta denúncia na assembleia, os diretores do DCE riram. O MNN desconversou.
“Unidade na luta” se transformou no novo mantra dos que não querem acreditar que, para lutar efetivamente, os estudantes precisam se livrar das amarras que impedem sua mobilização. O MNN cantarolou novamente esta triste cantiga.
Muita “luta”, em palavras, mas na assembleia a direção do DCE não queria sequer que as resoluções ali aprovadas fossem reconhecidas como decisões do movimento estudantil da USP. Não queriam nem mesmo que a assembleia, convocada como tal, fosse uma verdadeira assembleia, já que logo no início propuseram discutir o “caráter” da reunião, argumentando que não seria possível decidir nada de grande importância ali.
A direção do DCE, com a qual o MNN pretende se unir “na luta”, não propôs em nenhum momento lutar contra os processos, contra a PM e a privatização da USP. Recusaram-se a votar até mesmo pela paralisação das aulas durante os atos públicos convocados em protesto contra o novo regimento da pós-graduação e os processos sofridos pelos estudantes.
Greve? Nem pensar. Para a “Não vou me adaptar” é “muito cedo” para os estudantes reagirem aos ataques da reitoria, mesmo estando a universidade sob intervenção policial há 229 dias (desde 8 de setembro do ano passado, quando foi firmado o convênio USP-PM), mesmo com mais de 80 estudantes presos por se manifestar contra a ditadura na universidade, com oito estudantes expulsos, com processos contra os que ocuparam a reitoria no ano passado para protestar contra a repressão policial… Quando a direção do DCE decidir lutar (se é que algum dia isso seria possível), pode ser tarde demais…
E o MNN ainda está esperando o bloco pelego (Psol e PSTU) para lutar… É preciso tomar vergonha na cara e parar de fazer o papel da moça caipira que foi deixada esperando na porta do cinema logo no primeiro encontro.
Rafael Dantas
Estudante de Letras
e militante do PCO