Na “democracia” uspiana, o reitor-interventor é juiz, júri e carrasco

Os estudantes que estão respondendo a processos administrativos e correm o risco de expulsão serão julgados pelo próprio reitor contra o qual protestaram
Os estudantes que estão respondendo a processos administrativos e correm o risco de expulsão serão julgados pelo próprio reitor contra o qual protestaram

A ditadura de Rodas e do PSDB contra os estudantes e qualquer movimento de luta em defesa da universidade pública e gratuita ficou exposta com a utilização da Polícia Militar para reprimir, entre outras coisas, a ocupação da reitoria realizada em novembro do ano passado.

Além disso, Rodas expulsou oito estudantes que lutavam pelo direito à moradia estudantil e quase uma centena de alunos respondem a processos administrativos e criminais por seus atos políticos. O mesmo ocorre com os funcionários. O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) está com toda a sua diretoria sendo perseguida e ameaçada de demissão por conta de suas atividades sindicais. Um diretor, o companheiro Claudionor Brandão, já foi demitido de maneira ilegal justamente por exercer sua atividade como sindicalista durante seu mandato como diretor do sindicato, quando gozava, por lei, de estabilidade no emprego.

Estes fatos, por si só, já mostrariam a total ditadura e falta de qualquer garantia dos direitos democráticos na universidade mais importante do país. A situação, no entanto, é muito pior do que esta que descrevemos anteriormente.

Os estudantes que começaram a ser chamados para depor nos processos abertos em função da ocupação da reitoria da universidade serão julgados, segundo o estatuto da própria USP, por ninguém menos que o reitor da universidade. Ou seja, os estudantes podem ser punidos por lutar contra a ditadura de Rodas, e quem irá julgar se eles serão punidos será… o próprio Rodas. Trata-se de uma verdadeira aberração jurídica, uma vez que o reitor da universidade é parte interessada no próprio processo e não poderia, de modo algum, arbitrar de maneira isenta a questão.

É esta aberração jurídica que garante, por exemplo, que para tomar conhecimento do conteúdo dos processos, os estudantes notificados pela reitoria sejam obrigados a se deslocar até a sede da Procuradoria Geral da USP, fora da Cidade Universitária, na Rua Alvarenga, 1.416.

Em condições já desfavoráveis, os estudantes têm um prazo reduzidíssimo para apresentar suas defesas (por volta de 15 dias) e serão ouvidos por uma comissão escolhida a dedo pela própria reitoria.

O processo e “julgamento” da eliminação desses estudantes segue os moldes da Santa Inquisição, e não do Estado de Direito, apesar das declarações dadas pela reitoria. Sentados no banco dos réus, os estudantes que ocuparam a reitoria, serão tratados como o eram os suspeitos de bruxaria na sua época…

O julgamento será conduzido não com o objetivo de apurar o fato, mas de aplicar a pena, da mesma maneira que os caçadores de bruxas já tinham certeza dos males praticados por seus perseguidos.

Os estudantes da USP devem denunciar amplamente este processo arbitrário de perseguição política na universidade exigindo o fim dos processos contra estudantes e funcionários e mantendo a luta contra a ditadura do reitor-interventor.

É nesse sentido que os estudantes aprovaram na última assembleia geral paralisar as aulas no próximo dia 16, a partir da manhã, para realizar um protesto. A concentração será realizada em frente à reitoria e os estudantes marcharão até a sede da Procuradoria Geral, à rua Alvarenga, durante a primeira audiência para a qual os estudantes processados foram convocados a depor. Todos ao ato! Não podemos deixar nossos companheiros presos e processados por lutar contra a ditadura do reitor-interventor sozinhos! Fora Rodas! Fora PM! Fim dos processos!              A. L. A.