As aventuras de Rodinhas: “Os traficantes de ópio”

Havia muitos consumidores de ópio entre os nobres e os demais súditos do rei Rodinhas, mas a facção nobre conservadora, que dava sustentação ao seu reinado, preconizava o combate e extermínio dos traficantes de ópio.

− Temos que proibir, coibir e punir o uso e comércio de ópio! – era a voz dominante, entre os nobres.

Rodinhas fez um acordo para agradar uns e outros, ou seja, os nobres e os traficantes. A Polícia do Reino ficaria encarregada de coibir o tráfico e, ao mesmo tempo, daria cobertura para que o consumo fosse garantido, para os nobres.

Mais uma vez, o salomônico rei Rodinhas conseguiu agradar a todos (os que lhe interessavam).

Um dia, vieram à tona os acordos consertados pelo rei Rodinhas que, desconcertado, não soube como explicar o ocorrido. A hipocrisia geral, a necessidade de consumo de ópio pelos nobres, a defesa intransigente da polícia (pois ela servia para controlar os servos e punir com severidade quem expusesse seu nome no combate à corrupção do reino de Rodinhas); tudo isso levou os feiticeiros do Reino a espalhar um pó mágico que fazia adormecer a memória de todos. Mas, para garantir o efeito do pó do sono, foi decretada uma sentença ainda mais perversa do que o adiamento indeterminado do julgamento dos controladores do tráfico de ópio: o silêncio condescendente de todos os que sabiam que não havia moralidade nenhuma no Reino e que os combatentes do tráfico e consumo de ópio eram justamente os que o traficavam e o consumiam.

No fim das contas, para Rodinhas, o ópio do povo pobre devia ser o culto ao rei e aos militares em todos os cantos do Reino. Mas o ópio dos nobres era o ópio mesmo.

por Reginaldo Parcianello