Eliminação em massa

Os estudantes que estiveram à frente da mobilização em 2011 contra as arbitrariedades do reitor-interventor, a polícia e a privatização da universidade estão sofrendo processo administrativo instaurado pela reitoria. Entre os investigados, 51 dos 73 estudantes presos na desocupação da reitoria em novembro do ano passado e 12 que estavam na Moradia Retomada e foram presos pela Tropa de Choque da PM durante o carnaval, no dia 19 de fevereiro desse ano.

Os estudantes receberam intimações a prestar depoimento ao Conselho Processante. As acusações a que estão submetidos estão baseadas nos artigos 248, IV e 249, IV, do Decreto Estadual nº 52.906, de 27 de março de 1972, em vigor no Regimento Geral da USP, usados novamente para ameaçar os estudantes que participaram da ocupação da reitoria e da moradia retomada (térreo do bloco G do CRUSP). Os artigos prevêem respectivamente a “eliminação” de estudantes que tenham cometido “infrações contra o Regime Disciplinar” e a “eliminação definitiva nos casos em que for demonstrado, por meio de inquérito, ter o aluno praticado falta considerada grave”.

Os processos administrativos são os meios arbitrários da reitoria para intimidar os estudantes e calar aqueles que se levantaram contra os ataques de Rodas à USP. O processo não visa o esclarecimento de fato algum; somente a condenação e consequente expulsão dos estudantes.

Rodas e o governador do estado de São Paulo pretendem, com essa medida, punir estudantes que se recusam a entregar a universidade pública à meia dúzia de abutres, que sugarão da universidade todo o seu potencial produtivo para beneficiar empresas e bancos privados.     S.G.