Freud explica… A S.S. de Rodas

Depois da morte do Felipe Paiva, Rodas colocou a PM, um aparato especializado na repressão, na USP para garantir a “segurança” da Cidade Universitária. Meses depois, tornou-se público que a PM que atua na USP recebe propina e, inclusive, encomendas de morte do crime organizado. Toda a cúpula do governo estadual já sabia e o reitor apertou a mão do comandante da PM e bola pra frente…

Um ex-coronel da PM comanda agora a Guarda Universitária. Ele é especial. Já ganhou reportagem na Veja São Paulo. Não larga seu “três oitão”. Vai disciplinar a USP, nem que seja na porrada.

Um policial armado para comandar um corpo desarmado de seguranças patrimoniais. Até aí, tudo bem. Aceitamos qualquer coisa. Não conseguimos sequer distinguir segurança de repressão e já aguentamos o “braço forte” por causa da “mão amiga” por uns 20 anos.

Mas Rodas, talvez iludido por seus próprios poderes, talvez por mero ato falho, revelou suas intenções sobre o “plano de segurança” para a USP. Falo da criação da “S.S.”, a Superintendência de Segurança, produto da reformulação (mais uma) das instituições e entidades que fazem parte da burocracia da universidade.

É um insulto à inteligência dos estudantes que, a partir de agora, serão vigiados por um aparato que tem a mesma sigla da Schutzstaffel nazista.

Tá certo: Schutzstaffel queria dizer “Tropa de Proteção”. A Guarda Universitária, patrimonial que é, faz justamente isso… protege. Mas as semelhanças não param por aí (antes fosse).

A S.S. alemã, tal como a uspiana, foi criada a partir da consolidação de outras entidades. Reuniu, em uma só entidade, a Gestapo (polícia secreta nazista), o órgão que controlava as polícias, o serviço de inteligência e grupos de extermínio das minorias étnicas.

Rodas foi ligeiro. Depois do deslize de chamar sua Superintendência de Segurança de S.S. ter sido notado pela imprensa e insinuado diversas vezes, na primeira oportunidade se corrigiu e disse no USP Destaques que a sigla era “SEG” e não “S.S.”. Por que não? Se o Conselho Universitário é chamado de C.O. para não receber o devido apelido certamente é porque algum reitor d’antanho pensava que os estudantes eram mais burros do que ele. Erraram feio. Todos sabemos que o C.O. é o que é… As siglas não disfarçam as intenções. Rodas, pelo visto, deixou escapar uma oportunidade singular de evitar a comparação.

Freud
Aspone

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