Direção da FEA quer catracas no prédio

Em comunicado oficial, o diretor da FEA, Reinaldo Guerreiro, afirma que a faculdade irá realizar um plebiscito de 28 de maio a 1 de junho deste ano via internet para decidir sobre a instalação de catracas na portaria do FEA1 e na saída do restaurante.

“Esta ação deverá garantir a identificação das pessoas que circulam pelos edifícios da Faculdade”, afirma o comunicado.

O objetivo é barrar o acesso de pessoas que não sejam da FEA, nem da USP, como diz claramente o diretor no comunicado: “Muitos dos delitos são cometidos por estranhos à comunidade que transitam livremente pelas salas e pelos eventos”. A chamada “comunidade” ou “sociedade” ou ainda as “pessoas diferenciadas” não poderão mais ter acesso a uma universidade que é pública.

A “Comissão de Segurança da FEA” aprovou ainda a instalação de um balcão para identificação de pessoas.

Tudo foi aprovado, segundo a nota, na reunião da congregação da faculdade em dezembro de 2011. Nesta reunião, vale destacar, a representação estudantil e dos servidores é mera perfumaria.

A instalação das catracas é um passo dos já dados por essa faculdade para dar seguimento à privatização da USP. Depois que a direção da FEA inaugurou o primeiro curso de graduação pago na USP, oferecido pela FIA (Fundação Instituto de Administração), agora instala catracas e prepara o terreno para a cobrança de mensalidade de todos os cursos da faculdade.

A medida tomada pela direção da FEA mostra o que está por vir, pois as catracas visam impedir a entrada dos que não são estudantes. E ao contrário do que eles tentam dizer, a famosa desculpa da segurança, o objetivo é barrar futuramente a entrada dos que não pagam a mensalidade, como ocorre em toda faculdade particular.

A decisão ainda vai ser tomada a partir de um plebiscito via internet, no qual a chance de fraudes e manipulação é ainda maior que no voto em urna. Fica a pergunta: por que não se realizar pelo menos uma consulta em urna?

A forma de votação também é antidemocrática. Porque em uma eleição paritária os votos dos professores valem pelo menos 10 vezes mais que dos estudantes, porque eles são minoria, enquanto os estudantes são maioria. Se é uma decisão que cabe a cada um, porque não dar a cada um o direito de voto igual?

L.G.