Editorial Veja e Cachoeira: a serviço do crime organizado

Não se passaram nem seis meses do virulento ataque da revista Veja e outros órgãos de comunicação aos estudantes da USP, na ocupação da reitoria no ano passado, e eis que vem à tona mais uma denúncia da relação da revista com o crime organizado.

Reinaldo Azevedo, blogueiro da Veja, saiu na época em defesa da moralidade e dos bons costumes, classificando os estudantes de criminosos, vândalos, invasores, baderneiros.

“Os baderneiros fazem o jogo dos assaltantes, assassinos, estupradores e traficantes de drogas” (Veja, 30/10/2011), disse o blogueiro.

Como Demóstenes Torres, Reinaldo Azevedo, que está a serviço do crime organizado, como se descobriu agora, é também grande defensor da moralidade e da ética. Talvez seja essa uma forma de despistar a vinculação com criminosos de colarinho branco, bicheiros e contraventores, como bem se viu no caso Demóstenes – Cachoeira.

O nível do ataque da revista aos estudantes da USP denota também o comprometimento da matéria, que só pode ter sido encomendada, como mostram as últimas revelações da fabricação de reportagens para favorecer o crime organizado.

O bicheiro Cachoeira encomendava reportagens do seu interesse à revista para lhe favorecer os negócios ou prejudicar seus inimigos. Se a revista produziu matérias para favorecer os negócios de um bicheiro, porque não produziria reportagens para favorecer a operação para privatizar a USP?

O diretor da sucursal da revista em Brasília, Policarpo Júnior, era pautado pela organização criminosa do bicheiro e Veja também fabricou a denúncia do mensalão a pedido do senador Demóstenes Torres (ex-DEM) como retaliação ao veto de José Dirceu à sua nomeação para o cargo de secretário de segurança nacional.

O jornalismo da revista Veja é o jornalismo do crime organizado, dos interesses privados, escusos. O que demonstra que toda a campanha contra os estudantes da USP foi parte de uma operação política e ideológica.

Os incautos e inocentes que acreditaram nas reportagens da revista podem agora ver que as mesmas foram encomendadas. Mais de 80 estudantes são ameaçados de expulsão com base nessa campanha criminosa da revista.

A Veja fabrica as falsas reportagens para o crime organizado e a polícia mata pessoas a mando do tráfico de drogas, mas essas mesmas organizações  tentam provar que os estudantes é que são criminosos. Imputam seu próprio crime aos que estão lutando em defesa da universidade pública e gratuita e contra a repressão.

Essas revelações só demonstram a necessidade da imprensa estudantil independente. Os estudantes não podem continuar reféns de um jornalismo que atua a serviço de criminosos, a serviço dos que querem privatizar a universidade para atender interesses escusos, em total oposição à vontade da população.