Opinião: Sobre o texto “Falta um pouco de ‘anarquia’ na USP*”

Ao estudante de letras e “militante” do PCO Rafael Dantas.

Levando em consideração sua matéria, criticando o movimento anarquista na USP, gostaria de expressar algumas considerações sobre o texto.

Não faço parte de movimentos anarquistas dentro da USP. Conheço pouco do RIZOMA, e costumo fazer ativismos pela cidade de SP, sem me restringir à USP (como muitos por aqui fazem, agindo como se só existisse o academicismo e a Universidade de São Paulo).

Nós anarquistas não defendemos a “propaganda pela ação” (seu 2º parágrafo), nós costumamos agir. Nossas intervenções estão por toda a cidade em forma de panfletagens, pixações (SIM! PIXAÇÕES) e até mesmo o rackeamento de sites do governo ao qual vocês dizem se opor. Como já disse e repito, ainda não conheço os movimentos anarquistas dentro da USP, estou apenas fazendo considerações de algumas afirmações em seu texto que me pareceram deturpadas.

 

Quanto ao 3º parágrafo

 

Onde está escrito que a “inclinação primária” de todo anarquista é reagir à violência com violência? Nós, anarquistas, defendemos acima de tudo a liberdade de agir conforme a razão individual, sem obrigar qualquer companheiro de luta a agir contrariamente àquilo o que pensa ser justo (acredito que há anarquistas que reagem com violência e anarquistas que reagem por outros meios, como por exemplo, o ativismo).

 

Quanto ao 4º parágrafo

 

Dentro do anarquismo tentamos sempre manter o contato com ativistas de diferentes lugares do mundo. A prova disso vocês podem encontrar no site do CMI (Centro de Mídia Independente) – que é só um dos exemplos de comunicação entre anarquistas – onde estarão textos vindos de anarquistas até mesmo da Grécia, notícias sobre acontecimentos e ações diretas executadas ao redor do mundo por anarquistas e não por partidários.

Pois bem, já que falaram sobre a aversão do movimento anarquista aos partidos políticos, cito aqui alguns dos porquês dessa aversão:

1 – Um partido político luta para chegar ao poder, e não derrubá-lo. O movimento anarquista almeja acima de tudo a plena liberdade, sem a existência de um governo e qualquer outra hierarquia possível entre seres. Essa é a oposição óbvia entre nós anarquistas e o seu partido político.

2 – Nós já temos um “partido de esquerda” no poder, no entanto este até hoje só ofereceu migalhas ao povo, não acabando com as classes nem mesmo chegando perto da igualdade social. Não creio que o PCO no poder agiria diferente. Não é pessoal, é só que enquanto houver governo, este agirá em prol da economia capitalista (não é uma escolha de vocês, isso já está consolidado). Por isso, à nós anarquistas, não interessa o poder e sim a derrota desse governo e dessa economia.

3 – Quanto a sua crítica ao DCE e Centros Acadêmicos, que afirma que se trata de dois movimentos “muito burocráticos”, eu pergunto: Vocês acham que se algum membro do seu Partido da Causa Operária ganhasse uma eleição, resolveria o problema de desigualdade (e todos os outros problemas) com pixações, quebrando janelas, jogando bombas, queimando viaturas (seu parágrafo nº 1) ou assinando PAPÉIS (pura burocracia)? Sua crítica deveria ser auto crítica. Um partido trabalha com burocracia sempre, ou vocês acham que seus companheiros vereadores,  depultados, prefeitos etc trabalham como?

 

Quanto ao 12º parágrafo 

 

Você está se referindo ao legado de alguns dos membros de movimentos históricos socialistas. Te pergunto qual legado que Lênin ( que você citou) deixou. E eu te respondo: deixou seu rastro de tortura e violência contra os que se opunham à sua ditadura. Deixou profundas feridas até mesmo no movimento socialista, o qual deturpou e envergonhou, chamando de “socialismo” o massacre que foi seu governo.

 

Quanto a sua crítica ao reformismo:

 

O que é o Partido da Causa Operária senão um movimento reformista?

Creio eu que chegar ao poder para “reformar” o atual sistema (mais uma incoerência da sua ideia comunista) seja no mínimo reformista. Mais uma critica sua que deveria ser auto critica.

 

Finalizando:

 

As alfinetadas dadas ao movimento anarquista e a falsa ideia de anarquismo que se restringe à violência e ao caos serão sempre rebatidas pelo movimento anarquista REAL e independente da Universidade. Aliás, quanto a luta dentro da Universidade, creio eu que seja comum o interesse por defender os 73 estudantes processados, sendo desnecessária a sua alfinetada ao movimento anarquista.

Se você quer tanto praticar essa SUA DEFINIÇÃO de anarquia, faça você mesmo. Não espere que o movimento anarquista ou qualquer outro faça por você.

“Anonymous Anonymous”

*publicado no Jornal da USP Livre! nº53, de 17 de maio de 2012.

Um comentário

  1. Só quero entender como esse anarquista pretende, num passe de mágica, destruir o Estado sem antes ocupá-lo e como pretende eliminar as classe sociais. Suas “intervenções” não passam de ações pontuais que não contribuem em nada para organizar a classe trabalhadora e elevar a sua consciência de classe. Você é um fanfarrão, caro anônimo.

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