Freud explica… Um reitor medíocre, uma universidade medíocre

Todos devem estar sabendo da “redação modelo” que foi retirada do sítio da Fuvest. O autor dela destacou algumas letras formando as frases “fora rodas” e “fora pm”. Quando avisados, os membros da Fuvest retiraram a redação do ar, alegando que o fizeram para não incentivar “esse tipo de ação indevida”.

Por que indevida? Em que regime político o protesto é indevido? Será preciso responder, ou o leitor já sabe a resposta?

Ao considerar o protesto “ação indevida”, a Fuvest está determinando que a boa escritura é aquela que não incomoda o regime. É a escritura oficial, de cartório, de gabinete. O candidato ao vestibular tem de ser alguém comportado, alguém que aceite tudo o que a Fuvest impõe. O candidato não pode sequer pedir revisão de prova. Está no manual.

Essas determinações são oriundas do período da ditadura militar e já deveriam estar extintas. Mas aquilo que o vestibular exige de um aluno é um comportamento medíocre. Expliquemos.

Se o comportamento do aluno é socialmente exemplar, ele será melhor aluno na universidade. Porque é isso que a educação exige dele. Não é apenas uma norma institucional, mas pedagógica também. Isso significa que o aluno não pode protestar, tem sempre de acatar tudo o que lhe determinam, pois as autoridades universitárias são todas legítimas e têm o respaldo da lei.

É o mesmo que acontece nas repartições públicas. O público pode ser tratado como cachorro, mas se protestar, se exaltar-se, vai preso por desacato a um funcionário público.

O que a sociedade, controlada por uma minoria, deseja de seus componentes é um comportamento pacífico, submisso. A vida seria melhor assim? Seria, mas não para quem sofre. Apenas para quem domina.

A filosofia oriental, bem como alguns filósofos ocidentais, afirmava que o caminho reto era o caminho do meio, a vida em equilíbrio. Kant provou que isso era uma bobagem sem tamanho. A ideia da filosofia oriental (e do judaísmo também) era a de que a virtude se dá entre dois vícios, a falta e o excesso. Para Kant o que há entre a falta e o excesso é a mediocridade.

Se a Universidade de São Paulo quer que seu aluno se oriente entre a falta e o excesso, essa Universidade não haverá de formar nenhum grande intelectual. Mas a Universidade de São Paulo atua assim porque é uma universidade medíocre, dirigida por um imbecil.

Freud
Aspone