Crise na FEA – Coordenador do curso de administração foi flagrado adulterando documentos

O coordenador de graduação do curso de administração foi visto adulterando documentos da faculdade e responsabilizando os servidores por seus erros, além de dificultar a matrícula dos estudantes nas disciplinas
Às vésperas da direção da Faculdade de Economia e Administração (FEA) promover um “plebiscito” virtual para instalar catracas na entrada da faculdade, vem à tona a crise por que passa um de seus cursos.
Os estudantes não conseguem se matricular nas disciplinas, aparecendo o pedido como “indeferido” na grade de muitos e uma portaria da FEA impede a matrícula do estudante fora do período caso ele tenha reprovado por falta ou trancamento no semestre anterior. O fato tem causado revolta entre os estudantes.
Os estudantes afirmaram também que o curso não possui matérias consideradas importantes, apesar do curso pago da Fundação Instituto de Administração (FIA) ter sido criado com essas matérias na sua grade curricular.
A FIA foi criada como fundação privada por professores da FEA e agora se tornou uma “Escola de Negócios”, como diz sua página na internet, oferecendo cursos pagos de graduação.
Recentemente, para agravar a crise, o professor presidente da Comissão de graduação da FEA, Hamilton Luiz Côrrea, foi flagrado por estudantes e professores adulterando documentos.
Neste mês, o Centro Acadêmico Visconde de Cairu denunciou o fato em seu jornal. “Nessas reuniões testemunhamos o professor adulterando documentos oficiais, desconhecendo regras básicas do Regimento da USP, responsabilizando funcionários administrativos da faculdade por seus equívocos, e mostrando-se inábil para julgar casos individuais de forma imparcial, entre outros – gravações em áudio das sessões comprovam todos os desvios citados”.
Hamilton pode ser promovido a presidente da comissão de graduação de toda a FEA. Os estudantes afirmam também que os professores da faculdade se interessam pelos cursos de Pós-graduação e as consultorias oferecidas pela FIA e se recusam a ministrar boas aulas.
A crise, obviamente, é resultado da pressão que existe para a privatização da FEA e toda a USP. A FEA é a faculdade onde há mais investimento privado, vinculação com bancos, instituições empresariais e a primeira que o reitor vai tentar vender.
A instalação de catracas para barrar o acesso ao prédio é uma medida que mostra como anda a largos passos a privatização desta faculdade.
Depois de instalar as catracas, é só cobrar pelos cursos, uma vez que ninguém de fora da faculdade poderá entrar.
As catracas demonstram a tentativa de privatizar a faculdade que é pública, ou seja, em tese, de todos e para todos. Como ser de todos e para todos, se só os que são alunos regularmente matriculados e os funcionários desta instituição poderão entrar nas suas dependências? A faculdade se torna privada a um seleto grupo, aqueles que são alunos, professores ou funcionários do curso de Administração ou Economia.
O curso de administração está sendo tão sucateado e passa por essa crise justamente como reflexo desse processo de privatização da faculdade.