FEA – O resultado do plebiscito sobre as catracas já foi definido de antemão

Nessa segunda-feira, dia 28, tem início o plebiscito virtual sobre a instalação de catracas na entrada da FEA. Os estudantes, funcionários e professores deverão votar por meio de senha individual. Mas essa votação só será permitida dentro dos limites físicos da própria faculdade.
Esse plebiscito serve apenas para legitimar uma medida extremamente grave e com várias consequências, que já foi decidida pela congregação da FEA.
Como já foi dito pelo próprio diretor da FEA, Reinaldo Guerreiro, ao Jornal do Campus: “Eu não posso deixar de fazer alguma coisa que a congregação solicitou [para quê consultar as pessoas se é uma ordem que não pode ser descumprida?]. Mas, como diretor, quero conversar com os alunos, explicar o que significa colocar catracas, que é para aumentar a liberdade e não para diminuí-la”.
Se já foi decido, porque consultar as pessoas? É óbvio que a direção da FEA busca com o plebiscito apenas legitimar uma medida tão impopular que é a instalação de catracas.
O plebiscito virtual da direção da faculdade é só uma desculpa para eles afirmarem que a restrição de um espaço público, como é a FEA, foi decidida democraticamente. Quando o próprio Centro Acadêmico denunciou que a direção da FEA já decidiu, sem consultar ninguém, instalar “mecanismos” de controle de acesso no segundo andar do FEA1, nos prédios FEA2, FEA3, FEA5 e na biblioteca.
Para garantir a vitória no plebiscito, a direção da FEA também já providências para controlar o seu resultado, tornando-o virtual e paritário.
Enganam-se os que caíram no conto de que a paridade seria muito boa, porque colocaria em pesos iguais as posições de cada setor da universidade. O que a paridade faz é diminuir o peso dos votos dos estudantes, como se eles fossem de uma classe inferior. É um voto censitário, onde o voto do professor vale mais o voto do estudante.
Na FEA, por exemplo, são 3.488 estudantes (de graduação e pós), 184 professores e 135 funcionários. No sistema paritário, o voto de um professor vale 20 vezes mais que o voto de um estudante.
Vale perguntar por que a direção da FEA decidiu atribuir peso aos votos das pessoas de acordo com o segmento que fazem parte sendo que é um plebiscito para apurar uma opinião. A opinião de nenhum dos segmentos é homogênea.
Aqui, não está em jogo uma eleição para reitor, em que regras do estatuto da USP são utilizadas para impedir a participação das pessoas e atribuir pesos diferentes aos segmentos, mas um simples plebiscito sobre uma medida que será tomada na faculdade. Porque tanto controle sobre uma votação como essa?
É evidente que assim como nas eleições para reitor, nas quais o governo exerce um rígido controle e ultrapassa a decisão se esta não lhe for favorável, como na nomeação de João Grandino Rodas, a burocracia da FEA não quer perder a votação no plebiscito sobre as catracas.
Há um grande interesse na instalação dessas catracas. A desculpa utilizada é a “falta de segurança”. Alega-se que o plebiscito serve para consultar a suposta “falta de segurança” que sofrem os que frequentam a faculdade. Se é para isso, porque não deixar que a opinião da esmagadora maioria, ou seja, dos estudantes, se expresse no plebiscito?
No sistema de “um voto por cabeça” seria mais fácil saber o sentimento da maioria do que num sistema de voto paritário, em que a vontade da maioria é suprimida em nome de dar poder igual para segmentos que possuem quantidades diferentes.
O caráter “virtual” do plebiscito também mostra isso. Alguns setores alegam que é para permitir que mais pessoas votem, no entanto a pessoa só poderá votar se estiver dentro da faculdade. Assim, a justificativa de permitir a maior participação das pessoas cai por terra.
Se as pessoas precisam estar na FEA para votar no plebiscito virtual, por que não votar em urnas, onde a possibilidade de fraude é menor em relação à internet ou softwares? Além disso, as urnas mostram que está ocorrendo uma votação e lembram as pessoas de votar, enquanto uma votação pela internet é muito mais fácil de ser esquecida, além de manipulada.
São essas perguntas sem reposta que demonstram a manipulação da direção da FEA para garantir de todo modo a instalação das catracas e favorecer o processo de privatização desta faculdade.
Uma vez que catracas sejam instaladas na FEA, a medida permite que o mesmo seja feito em outras faculdades, tornando o acesso que já é bastante restrito à USP, mais limitado ainda.
É também uma medida para favorecer a cobrança de taxas e mensalidades e evitar manifestações e protestos estudantis, uma vez que o controle sobre os estudantes e sobre quem entra ou não na faculdade é muito maior.
Uma faculdade privada só consegue manter seu sistema de arrecadação das mensalidades porque as catracas impedem o acesso dos inadimplentes ou dos que são de fora da faculdade.