Os estudantes devem dar uma resposta à altura dos ataques da reitoria

A USP está sob estado de sítio. Rodas está passando aqueles estudantes que protestaram contra a intervenção policial ocupando a reitoria no ano passado por um moedor de carne.
Processados, acuados com a acusação absurda de que são vândalos e que agiram deliberadamente para causar danos à universidade, um a um os companheiros estão sendo chamados a depor. Caso não o façam, estarão automaticamente admitindo a “culpa”.
Mais: estão sendo, por esta medida, coagidos a se submeter a um processo que não pode ser questionado.
A “livre-defesa” que o reitor afirma existir nos processos administrativos resume-se apenas ao direito dos estudantes de comparecer à audiência com um advogado. Seus acusadores são as mesmas pessoas que julgarão o caso. A “comissão processante” que foi escolhida pela reitoria para conduzir o processo, representa o interesse da própria reitoria no processo e é, por estas circunstâncias, absolutamente incapaz de fornecer um julgamento imparcial aos estudantes.
O reitor que foi escolhido por um único eleitor, o então governador do Estado José Serra, do PSDB, age como se tivesse efetivamente um mandato do povo de São Paulo, sabe-se lá senão de Deus, para por em prática a privatização da universidade. Tem mesmo?
A polícia foi colocada na Cidade Universitária sem qualquer consulta à comunidade. Foi uma decisão administrativa.
A reitoria decidiu abrir uma licitação para a reforma do sistema de iluminação. Algumas das empresas participantes reclamaram que as concorrentes não tinham chances de concorrer com uma delas, como se a licitação tivesse sido feita para selecionar uma empresa pré-definida. Mais uma decisão administrativa.
A pós-graduação foi “reformada” para melhor atender aos interesses privados na USP. Agora, quem quiser seu mestrado ou doutorado, muito provavelmente terá que pagar pelo diploma. Ninguém foi consultado à exceção da cúpula… administrativa da universidade.
No processo contra os estudantes, ninguém mais além da comissão de professores encarregados de julgar precisa ser consultado. A apelação da decisão (que já é previsível, uma vez que a reitoria recomendou a expulsão) só poderá ser feita na justiça comum, isto é, depois que os estudantes já tiverem sido expulsos da USP. Não à toa, são administrativos. Questão interna. Cosa nostra?
É diante desta situação nefasta que os estudantes da USP continuam a protestar e se organizar para lutar contra as arbitrariedades da reitoria.
É preciso manter em pé o programa de luta dos estudantes que ocuparam a reitoria em novembro passado. Para tanto, é preciso empregar todas as forças, todo o empenho dos que se recusam a aceitar a ditadura do reitor-interventor, do PSDB, da polícia militar e da privatização da universidade.
• Abaixo a perseguição política na USP!
• Fim dos processos contra estudantes e funcionários!
• Fora PM!
• Fora Rodas!
• Não à privatização da USP!
• Ensino público e gratuito!
• Poder estudantil!