Opinião: A assembleia geral deve organizar a luta e não servir como um parlamento estudantil

Está marcada para a próxima quinta-feira, 31, uma assembleia geral dos estudantes da USP. Ela ocorre em um momento decisivo, em meio aos depoimentos dos mais de 50 estudantes que estão sendo processados por Rodas e que podem ser “eliminados” da universidade.
A assembleia seria assim o local ideal para os estudantes se organizarem para lutar contra os processos, exigindo sua imediata revogação, bem como para dar continuidade à luta iniciada no ano passado contra Rodas, a PM e a privatização da universidade.
Infelizmente, a direção do DCE transforma as assembleias numa espécie de parlamento estudantil, que serve apenas como um tipo de plataforma eleitoral para outros objetivos que não a luta.
O verdadeiro parlamento estudantil todos conhecemos, é o Conselho de Centros Acadêmicos (CCA), que reúne apenas a burocracia estudantil que se encontra nos aparelhos e no qual apenas eles têm direito de voto. Lá, tudo que é de interesse da burocracia mirim do Psol e do PSTU é aprovado como no parlamento burguês; resoluções, declarações e regimentos de eleições, congressos.
À assembleia só resta o faz-de-conta. Tanto que a diretoria do DCE sequer se preocupa em convocá-la. Melhor para eles, pois uma vez esvaziada, fica mais fácil impugnar a assembeia como principal fórum de deliberações do movimento estudantil.
Para o DCE, da gestão “Não vou me adaptar” (Psol e PSTU), as resoluções da assembleia também não valem nada. Apesar da insistência dos estudantes, eles se recusam a convocar os atos contra os processos e a organizar as paralisações que foram deliberadas para esses dias. É nessa hora que todos se perguntam: onde estão os 300 membros da chapa “Não vou me adaptar”? Certamente não estão na assembleia… nem convocando os atos, nem paralisando as aulas, nem nos próprios atos.
Mas todos viram eles bem mobilizados para recolher o voto dos estudantes pelo cabresto durante as eleições.
O DCE e assembleia geral que o guia não devem funcionar de forma parlamentar, nem como palanque para verdadeiros aprendizes de parlamentares, mas para organizar a luta, objetivo para o qual Psol e PSTU deram mostras mais que suficientes de não terem sido talhados.

Natália Pimenta
Estudante de Letras e militante do PCO